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Desmatamento na Mata Atlântica atinge menor nível histórico

Queda foi de 28% em 2025 em relação ao ano anterior; destaque negativo para a Bahia

Published 15/05/2026
curso Mata Atlântica

Foto: Renato Augusto Martins | CC

O desmatamento na Mata Atlântica registrou, em 2025, o menor índice da série histórica dos principais sistemas de monitoramento ambiental do país. Os dados apontam uma queda de 28% na supressão florestal total e redução de 40% nas áreas de florestas maduras, consolidando uma trajetória de desaceleração no desflorestamento do bioma.

O Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD) Mata Atlântica apontou redução de 53.303 para 38.385 hectares desmatados entre 2024 e 2025 – o menor índice desde o início do monitoramento, em 2022. Já o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, realizado pela SOS Mata Atlântica e pelo INPE desde 1985, revelou um dado ainda mais expressivo: a supressão de florestas maduras caiu de 14.366 para 8.668 hectares, uma redução de 40%.

Pela primeira vez em quatro décadas, o desmatamento anual ficou abaixo de 10 mil hectares em áreas de vegetação madura da Mata Atlântica.

O levantamento foi divulgado pela Fundação SOS Mata Atlântica, em parceria com o MapBiomas, Arcplan e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Quais fatores contribuíram para a queda do desmatamento?

Segundo especialistas, a redução está diretamente ligada ao fortalecimento das políticas públicas ambientais, fiscalização e pressão da sociedade civil. Entre as principais ações apontadas estão a Operação Mata Atlântica em Pé, a aplicação de embargos remotos e a restrição de crédito a áreas desmatadas ilegalmente, além da afirmação da Lei da Mata Atlântica (primeira legislação específica para a proteção de um bioma brasileiro e referência internacional em conservação de florestas tropicais).

Áreas avaliadas e parcialmente avaliadas em 2025, devido à cobertura
de nuvens.

Para Luís Fernando Guedes Pinto, diretor executivo da SOS Mata Atlântica, os números de 2025 confirmam uma trajetória. “Políticas públicas e instrumentos de controle ambiental funcionam quando são aplicados com seriedade. A celebração, no entanto, precisa vir acompanhada de vigilância. O desmatamento continua acontecendo e, na Mata Atlântica, cada fragmento perdido faz diferença. O desafio é manter essa trajetória até zerarmos o desmatamento”, ressalta.

Bahia, Minas Gerais e Piauí lideram perda de vegetação

Apesar da queda geral, alguns estados ainda concentram grande parte da devastação da Mata Atlântica.

Os maiores índices de desmatamento em 2025 foram registrados em:

  1. Bahia — 17.635 hectares;
  2. Minas Gerais — 10.228 hectares;
  3. Piauí — 4.389 hectares;
  4. Mato Grosso do Sul — 1.962 hectares.

Juntos, esses estados responderam por 89% de toda a área desmatada no bioma.

De acordo com o SAD Mata Atlântica, 96% das áreas destruídas foram convertidas para uso agropecuário, com fortes indícios de ilegalidade.

Riscos de retrocesso ambiental

A Mata Atlântica abriga cerca de 70% da população brasileira e concentra mais de 80% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Além da biodiversidade, o bioma é essencial para garantir segurança hídrica, estabilidade climática e produtividade agrícola para a maior parte do país.

Mesmo com os avanços, organizações ambientais demonstram preocupação com mudanças recentes na legislação brasileira.

A aprovação da nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental e da Lei da Licença Ambiental Especial, em 2025, é vista por especialistas como um possível enfraquecimento dos mecanismos de proteção da Mata Atlântica.

Deputados e senadores da Frente Parlamentar da Agropecuária protocolaram centenas de emendas à Medida Provisória sobre Licenciamento Ambiental Especial; parte delas visa recolocar em lei trechos do ‘PL da Devastação’ vetados por Lula

Uma das alterações mais criticadas dispensa a anuência do Ibama em determinados processos de autorização de desmatamento, transferindo responsabilidades para órgãos estaduais e municipais.

Segundo Malu Ribeiro, diretora de políticas públicas da SOS Mata Atlântica, a flexibilização pode comprometer os avanços conquistados. “Os números apontam que o desmatamento cai quando a lei é aplicada com rigor e critérios técnicos. Enfraquecer os instrumentos de proteção agora é arriscar o que levamos anos construindo”, afirma.

Monitoramento ambiental mais preciso

O SAD Mata Atlântica identifica áreas desmatadas a partir de 0,3 hectare, permitindo respostas mais rápidas dos órgãos ambientais. Já o Atlas da Mata Atlântica monitora grandes fragmentos florestais acima de três hectares, oferecendo uma visão estratégica sobre a conservação das florestas maduras.

Segundo o INPE, os 40 anos de monitoramento contínuo permitem comprovar que a redução do desmatamento em 2025 representa uma tendência consistente e não um evento isolado.

Os dados completos estarão disponíveis no relatório do Atlas da Mata Atlântica 2024-2025 e no painel do SAD Mata Atlântica. Tanto o Atlas quanto o SAD têm execução técnica da Arcplan.

Desmatamento na Mata Atlântica

Qual foi a redução do desmatamento na Mata Atlântica em 2025?

O desmatamento caiu 28% em relação ao período anterior, segundo o SAD Mata Atlântica.

Quanto caiu o desmatamento em florestas maduras?

A redução foi de 40%, atingindo o menor índice em 40 anos de monitoramento.

Quais estados mais desmataram a Mata Atlântica?

Bahia, Minas Gerais, Piauí e Mato Grosso do Sul lideraram os índices de perda florestal.

Quanto resta da Mata Atlântica atualmente?

Restam cerca de 24% da cobertura original do bioma, sendo apenas 12,4% de florestas maduras.

O desmatamento da Mata Atlântica pode chegar a zero?

Especialistas afirmam que o bioma tem potencial para se tornar o primeiro do Brasil a alcançar desmatamento zero, desde que políticas ambientais e fiscalização sejam mantidas.

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