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Desmatamento na Mata Atlântica cai 42%, mas alerta continua

Com 8 mil hectares destruídos no primeiro trimestre, Brasil ainda está longe do desmatamento zero

Published 26/09/2025
amazônia diferença mata atlântica

Parque Estadual da Serra do Brigadeiro. Foto: Evandro Rodney | Imprensa MG

Os dados mais recentes do Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD) Mata Atlântica, desenvolvido pela Fundação SOS Mata Atlântica em parceria com o MapBiomas e a Arcplan, revelam uma queda de 42% no desmatamento da Mata Atlântica no primeiro trimestre de 2025, em comparação com o mesmo período de 2024.

Foram 8.109 hectares desmatados entre janeiro e março deste ano, contra 14.068 hectares no ano anterior. Apesar da melhora, o número ainda é alarmante: uma área equivalente a aproximadamente 8 mil campos de futebol foi destruída em apenas três meses.

Segundo a SOS Mata Atlântica, embora o dado indique uma tendência positiva, é preciso atenção. Em 2024, o primeiro semestre também mostrou redução de 55%, mas o segundo semestre teve aumento nos cortes, resultando em um cenário de estabilidade preocupante no total anual de desmatamento.

“É ótimo notar uma trajetória de queda, porém a situação ainda é de alerta. A Mata Atlântica é o bioma mais devastado do Brasil e cada hectare perdido compromete a biodiversidade e a qualidade de vida da população com um todo, afirma Luís Fernando Guedes Pinto, diretor executivo da organização. “Para virar o jogo, o país precisa implementar com rapidez o novo plano de combate ao desmatamento e encerrar o ciclo de ameaças legislativas à Lei da Mata Atlântica”, completa.

O Parque Estadual da Cantareira é considerado o maior fragmento urbano de Mata Atlântica do mundo. Foto: Sturm CC 4.0

 

Lei da Mata Atlântica sob ameaça

A Lei da Mata Atlântica tem sido alvo de tentativas de enfraquecimento no Congresso Nacional. O PL 2159/2021, apelidado de “PL da Devastação”, incluiu dispositivos que fragilizam a proteção do bioma.

Embora muitos desses pontos tenham sido vetados pela Presidência da República, há forte pressão para a derrubada dos vetos, o que pode reabrir espaço para novos ciclos de desmatamento ilegal.

Área de restauração florestal com o manejo da SOS Mata Atlântica. Foto: Reprodução | iFood

“A sociedade já demonstrou força para barrar retrocessos e precisa seguir vigilante. Pressões pela flexibilização do licenciamento ambiental persistem e, sem a manutenção dos vetos e a aplicação rigorosa da lei, abriremos espaço para novos ciclos de devastação”, reforça Malu Ribeiro, diretora de políticas públicas da SOS Mata Atlântica.

Mata Atlântica e desmatamento zero

A Mata Atlântica tem potencial para se tornar referência nacional e internacional na conservação ambiental. É o bioma que há mais tempo enfrenta a perda sistemática de vegetação e possui uma lei específica de proteção.

Além disso, concentra os maiores esforços de restauração florestal já realizados no país. Se bem gerida, a Mata Atlântica pode ser o primeiro bioma brasileiro a alcançar o desmatamento zero até 2030, conforme as metas do Acordo de Paris.

“Para que o Brasil cumpra os compromissos assumidos no Acordo de Paris, é fundamental alcançar o desmatamento zero em todos os biomas até 2030. A Mata Atlântica pode ser o primeiro a atingir essa meta e se tornar uma referência global no enfrentamento das crises ambiental e climática”, destaca Guedes Pinto.

A ONU já reconheceu a proteção e restauração da Mata Atlântica como uma das 10 Iniciativas de Referência da Década da Restauração de Ecossistemas (confira abaixo no Leia Mais). O bioma fornece serviços ecossistêmicos fundamentais – como abastecimento de água, segurança alimentar, saúde e bem-estar – para 70% da população brasileira e 80% do PIB nacional.

Conservar a Mata Atlântica não é apenas uma ação ambiental, mas também um pilar estratégico para a economia e a estabilidade climática do Brasil. O ano de 2025 é simbólico: o Brasil sediará a COP 30, em Belém (PA). A comunidade internacional espera ações concretas na redução do desmatamento e medidas efetivas de mitigação climática.

“Temos uma oportunidade histórica de mostrar ao mundo que o Brasil pode liderar pelo exemplo. Zerar o desmatamento da Mata Atlântica nos próximos anos é uma meta ambiciosa, mas possível, e sinalizaria que o país está pronto para unir conservação, desenvolvimento e justiça climática”, conclui o diretor da SOS Mata Atlântica.

Monitoramento do Desmatamento

O SAD Mata Atlântica utiliza imagens de satélite Sentinel-2, com 10 metros de resolução, para identificar automaticamente indícios de desmatamento. Os alertas são integrados à plataforma MapBiomas Alerta, onde passam por validação individual e auditoria, com uso de imagens de alta resolução.

Cada ocorrência confirmada é cruzada com dados públicos, como: Cadastro Ambiental Rural (CAR); embargos; autorizações de desmatamento do SINAFLOR/IBAMA.

Foto: Renato Augusto Martins | CC

Essas informações ficam disponíveis em uma plataforma aberta e transparente, que cobre todo o território nacional.

Os dados consolidados do desmatamento da Mata Atlântica em 2025 serão divulgados pela SOS Mata Atlântica no primeiro semestre de 2026.

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