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Atlas mapeia rotas de aves migratórias vulneráveis ​​nas Américas

Ferramenta inédita mapeia “rodovias invisíveis do céu” das aves migratórias, revelando habitats críticos que abrangem 56 países

Published 26/03/2026
aves migratórias

A mariquita-azul (Cerulean Warbler) é uma pequena espécie que se reproduz na América do Norte e inverna na América do Sul. Foto: © Luke Seitz | Cornell Lab of Ornithology

Uma nova e poderosa ferramenta online que mapeia as jornadas anuais completas de 89 espécies de aves migratórias altamente vulneráveis ​​nas Américas foi apresentada nesta quinta-feira (26) na COP15 da CMS, a conferência da ONU sobre conservação da vida selvagem. A ferramenta oferece a governos, cientistas e ambientalistas uma visão sem precedentes de onde a ação é mais urgente para protegê-las.

Desenvolvido pelo Laboratório de Ornitologia de Cornell e pela Convenção sobre a Conservação de Espécies Migratórias de Animais Selvagens (CMS), o Atlas de Rotas Migratórias das Américas identifica os locais críticos de reprodução, parada e invernada dos quais as aves migratórias dependem para sobreviver, muitos dos quais estão sob crescente pressão devido à perda de habitat, infraestrutura e mudanças climáticas.

Baseando-se em milhões de observações de ciência cidadã submetidas através da plataforma eBird, combinadas com modelagem científica avançada, o Atlas identifica “Áreas de Concentração de Aves” – pontos críticos onde grandes quantidades de espécies de aves listadas no Apêndice I ou II da CMS se reúnem em diferentes estágios de sua migração.

O Atlas abrange inicialmente 89 espécies listadas nos Apêndices I e/ou II da CMS e surge num momento de crescente preocupação com o estado das espécies migratórias em todo o mundo. Ao longo das rotas migratórias das Américas, que se estendem do Ártico canadense à Patagônia chilena, 622 espécies de aves migratórias dependem de uma frágil cadeia de habitats que abrange 56 países. Muitas delas estão em declínio.

Entre as espécies ameaçadas, há evidência de quedas aceleradas do ganso-africano (Anser cygnoid). Foto: grihahasanov CC BY 4.0

Desde a maçarico-de-bico-comprido, que se reproduz no Ártico, até o flamingo-andino e a mariquita-cerúlea, espécie que está desaparecendo rapidamente na América do Norte, essas aves dependem de múltiplos ecossistemas além das fronteiras. Um único elo frágil – um pântano drenado, uma floresta fragmentada, um local de parada migratória interrompido – pode colocar em risco populações inteiras.

O Atlas torna essas ligações visíveis pela primeira vez em escala continental.

Criado para orientar políticas

Diferentemente dos conjuntos de dados tradicionais, o Atlas foi projetado para orientar decisões no mundo real, ajudando os governos a identificar onde os esforços de conservação terão o maior impacto.

A medida apoia diretamente as negociações em curso esta semana na COP15, onde 133 Partes debatem novas medidas para proteger espécies migratórias, incluindo propostas para incluir espécies adicionais na lista e fortalecer a cooperação internacional em matéria de proteção de habitats e conectividade ecológica.

Ao fornecer aos países uma base de evidências compartilhada, a plataforma visa preencher uma das maiores lacunas na conservação: alinhar ações além-fronteiras para espécies que não as reconhecem.

O Atlas de Rotas Migratórias das Américas identifica os locais críticos de reprodução, parada e invernada dos quais as aves migratórias dependem para sobreviver. Imagem: The Cornell Lab of Ornithology

O Atlas chega em um momento de crescente pressão sobre as espécies migratórias em todo o mundo – desde a destruição de habitats e infraestrutura até a poluição e as mudanças climáticas, todos temas prioritários na agenda da COP15 esta semana no Brasil.

Imagem: The Cornell Lab of Ornithology

Entre as espécies de aves migratórias abordadas no Atlas, encontram-se algumas das migrantes mais emblemáticas e ecologicamente importantes do hemisfério, incluindo:

Essas espécies exemplificam os desafios de conservação ao longo da Rota Migratória das Américas, abrangendo pradarias, litorais, florestas tropicais e lagos de altitude nos Andes, e reforçam a necessidade de uma ação internacional coordenada.

Transformar observações em ação

“Este atlas mostra o que se torna possível quando milhões de observações de aves, contribuídas por pessoas de toda a América, são reunidas”, disse Chris Wood, Diretor de Programas do Centro de Estudos de Populações de Aves e do eBird do Laboratório de Ornitologia de Cornell.

“Combinadas com a modelagem moderna, essas contribuições se tornam uma ferramenta poderosa para a conservação. Ao transformar essas observações em mapas claros de onde as aves migratórias se concentram durante a reprodução, a migração e o inverno, o Atlas de Rotas Migratórias das Américas ajuda governos e parceiros de conservação a concentrarem seus esforços onde podem fazer a maior diferença.”

A Secretária Executiva da CMS, Amy Fraenkel, descreveu o Atlas como “um grande passo em frente para a cooperação internacional na conservação de aves migratórias nas Américas. Ao reunir ciência de ponta e dados gerados por cidadãos, esta ferramenta fornece aos países as informações necessárias para identificar e proteger os locais dos quais as aves migratórias dependem ao longo de seus ciclos anuais completos.”

Pilrito-canela (Buff-breasted Sandpiper) se reproduz na América do Norte e é uma espécie migradora de longa distância, migrando até o sul do Brasil, entre os países, durante o inverno. Foto: © Luke Seitz | Cornell Lab of Ornithology

João Paulo Capobianco, Presidente da COP15 e Secretário Executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas do Brasil, ressaltou que presidir a COP15 no Brasil “significa impulsionar a cooperação multilateral que une a ciência compartilhada e os compromissos conjuntos para o futuro da vida no planeta.”

Ainda segundo Capobianco, o Atlas das Rotas Migratórias das Américas é um marco, uma vez que revela as rotas e áreas-chave das quais depende a sobrevivência das aves migratórias com precisão e clareza sem precedentes. “Ao destacar esses corredores ecológicos que conectam os biomas das Américas, a plataforma se torna um argumento irrefutável para que mais nações em todo o continente se juntem à Convenção. Sem a proteção desses locais de parada, a vida migratória em todo o hemisfério estará em risco.”

Em números: Atlas das Rotas Migratórias das Américas

Confira o Atlas aqui.

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