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Amazônia já emite mais CO2 do que é capaz de absorver

Estudo publicado na Nature mostra que a Amazônia passou a ser fonte de carbono devido às queimadas, ao desmatamento e as mudanças climáticas.

fogo Amazônia
Queimada e vista em meio a área de floresta próxima a capital Porto Velho. Foto: Bruno Kelly | Amzonia Real | Flickr (cc-by-2.0)
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A Amazônia hospeda a maior floresta tropical da Terra e nas últimas décadas atuou como uma importante sequestradora de gás carbônico. Porém, esse cenário vem mudando drasticamente com o aumento das queimadas, desmatamento e do impacto das mudanças climáticas. Um estudo, publicado na última quarta-feira (14), revelou que a Floresta Amazônica agora está emitindo mais dióxido de carbono do que é capaz de absorver.

A pesquisa sobrevoou a floresta com pequenos aviões em quatro locais na Amazônia brasileira de 2010 a 2018 para medir os níveis de emissões de carbono na atmosfera. Os estudos anteriores que já indicavam que a região estava se tornando uma fonte de CO2 foram baseados em dados de satélites, porém esses podem sofrer com as obstruções de nuvens. Com os pequenos aviões, foi possível obter dados mais precisos a uma altura de até 4.500 metros.

Os dados revelaram que incêndios produziram cerca de 1,5 bilhão de toneladas de CO2 ao ano, com o crescimento da floresta removendo 0,5 bilhão de toneladas. Para se ter uma ideia, o 1 bilhão de toneladas restante na atmosfera é equivalente às emissões anuais do Japão, o quinto maior poluidor do mundo.

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A maioria das emissões são causadas por incêndios intencionais com o objetivo de limpar terras para a produção de carne e soja. Porém, a pesquisa mostra que, mesmo sem incêndios, temperaturas mais altas e secas significam que o sudeste da Amazônia se tornou uma fonte de CO2, em vez de um sumidouro.

Gráfico: Gatti, L. V. et al. Nature 595, 388-393 (2021)

“Descobrimos que a intensificação da estação seca e um aumento no desmatamento parecem promover estresse no ecossistema, aumento na ocorrência de incêndios e maiores emissões de carbono no leste Amazonas. Isso está de acordo com estudos recentes que indicam um aumento na mortalidade de árvores e uma redução na fotossíntese como resultado de mudanças climáticas em toda a Amazônia”, diz o artigo científico que foi publicado na revista Nature.

Má notícia

A revelação de que parte da Amazônia estava emitindo carbono mesmo sem incêndios foi particularmente preocupante. A soma do desmatamento e dos incêndios a cada ano tornam as florestas adjacentes mais suscetíveis. As árvores produzem grande parte da chuva da região, portanto, menos árvores significam secas mais severas e ondas de calor e mais mortes de árvores e incêndios. 

Gráfico: Gatti, L. V. et al. Nature 595, 388-393 (2021)

“A primeira notícia muito ruim é que a queima da floresta produz cerca de três vezes mais CO2 do que a floresta absorve. A segunda má notícia é que os locais onde o desmatamento é de 30% ou mais apresentam emissões de carbono 10 vezes maiores do que onde o desmatamento é inferior a 20%”, afirma Luciana Gatti do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e líder da pesquisa ao jornal Guardian.

“A pior parte é que não usamos a ciência para tomar decisões”, diz ela ainda ao jornal. “As pessoas pensam que converter mais terras para a agricultura significará mais produtividade, mas na verdade perdemos produtividade por causa do impacto negativo nas chuvas.”

Reverter este cenário é possível

“Zerando o desmatamento e as queimadas, além de reduzirmos as emissões de CO2, também aumentaria a capacidade da floresta Amazônica de absorver carbono, contribuir com aumento da chuva e redução da temperatura, que por sua vez aumenta mais ainda a capacidade de absorver carbono formando um ciclo positivo, não só para a Amazônia, também para o restante do Brasil, da América do Sul, e do Planeta, pois estamos todos interligados. Não existem paredes na atmosfera”, diz o INPE em nota.

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