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Emprego em energia renovável aumentou 18% em 2023

Brasil está em terceiro lugar entre os países que mais geram empregos em energia renovável, segundo IRENA

Published 17/10/2024
emprego energia renovável

Foto: Newpowa | Unsplash

O ano de 2023 registrou o maior aumento de todos os tempos em empregos na área de energias renováveis. O número saltou de 13,7 milhões em 2022 para 16,2 milhões, de acordo com o relatório anual “Energia Renovável e Empregos” da Agência Internacional para as Energias Renováveis (IRENA) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

De acordo com a IRENA, o salto de 18% em 2023, em relação ao ano anterior, reflete o crescimento das capacidades de geração de energia renovável, juntamente com a expansão contínua da fabricação de equipamentos.

Foto: Bill Mead | Unsplash

Uma análise mais detalhada dos dados do relatório, no entanto, mostra um quadro global desigual. Cerca de dois terços da nova capacidade global de energia solar e eólica foram instalados somente na China no ano passado.

A China lidera com uma estimativa de 7,4 milhões de empregos em energia renovável, ou 46% do total global. A UE vem em seguida, com 1,8 milhão, o Brasil, com 1,56 milhão, e os Estados Unidos e a Índia, cada um com cerca de 1 milhão de empregos.

Destaques entre renováveis

Como nos últimos anos, o maior impulso veio do setor de energia solar fotovoltaica, que cresceu rapidamente e gerou 7,2 milhões de empregos em todo o mundo. Desses, 4,6 milhões estavam na China, o principal fabricante e instalador de energia fotovoltaica. Graças aos significativos investimentos chineses, o Sudeste Asiático surgiu como um importante centro de exportação de energia solar fotovoltaica, criando empregos na região.

Foto: Jimmy Nilsson Masth | Unsplash

Os biocombustíveis líquidos tiveram o segundo maior número de empregos, seguidos pela energia hidrelétrica e eólica. O Brasil liderou o ranking de biocombustíveis, sendo responsável por um terço dos 2,8 milhões de empregos no mundo nesse setor. O aumento da produção colocou a Indonésia em segundo lugar, com um quarto dos empregos globais em biocombustíveis.

Foto: PIxabay

Devido a uma desaceleração na implantação, a energia hidrelétrica se tornou uma exceção à tendência geral de crescimento, com a estimativa de que o número de empregos diretos tenha diminuído de 2,5 milhões em 2022 para 2,3 milhões. China, Índia, Brasil, Vietnã e Paquistão foram os maiores empregadores do setor.

No setor eólico, a China e a Europa continuam dominando. Como líderes na fabricação e instalação de turbinas, eles contribuíram com 52% e 21% para o total global de 1,5 milhão de empregos, respectivamente.

Muitos recursos, poucos investimentos

Apesar do imenso potencial de recursos, a África continua a receber apenas uma pequena parcela dos investimentos globais em energias renováveis, o que se traduziu em um total de 324 mil empregos em energias renováveis em 2023. Para regiões que precisam urgentemente de acesso confiável e sustentável à energia, como a África, e especialmente em áreas remotas, as soluções de energia renovável descentralizada (DRE) – sistemas autônomos que não estão conectados às redes de serviços públicos – representam uma oportunidade de preencher a lacuna de acesso e gerar empregos. A remoção de barreiras para que as mulheres iniciem iniciativas de empreendedorismo em DRE pode estimular o setor, resultando em economias locais aprimoradas e equidade energética.

Complexo Eólico Cutia, no litoral do Rio Grande do Norte. | Foto: Divulgação | Copel

“A história da transição energética e seus ganhos socioeconômicos não devem ser sobre uma ou duas regiões. Se quisermos cumprir nossa promessa coletiva de triplicar a capacidade de energia renovável até 2030, o mundo deve intensificar seu jogo e apoiar as regiões marginalizadas na abordagem das barreiras que impedem o progresso de suas transições”, afirmou Francesco La Camera, Diretor Geral da IRENA. Segundo ele, é preciso fortalecer a colaboração internacional para mobilizar mais financiamento em países que ainda não se beneficiam da criação de empregos em energias renováveis.

Caminho a seguir

Para atender à crescente demanda das transições de energia, segundo a IRENA, as políticas devem apoiar medidas em favor de uma maior diversidade da força de trabalho e da igualdade de gênero. Representando 32% da força de trabalho total de energias renováveis, as mulheres continuam tendo uma participação desigual, mesmo quando o número de empregos continua aumentando. É essencial que a educação e os treinamentos levem a diversas oportunidades de emprego para mulheres, jovens e membros de grupos minoritários e desfavorecidos.

Foto: Lar Bolands

“Investir em educação, habilidades e treinamento ajuda a requalificar todos os trabalhadores dos setores de combustíveis fósseis, abordar as disparidades de gênero ou outras e preparar a força de trabalho para novas funções de energia limpa”, explicou o Diretor-Geral da OIT, Gilbert F. Houngbo. “Isso é essencial se quisermos equipar os trabalhadores com o conhecimento e as habilidades que precisam para conseguir empregos decentes e garantir que a transição energética seja justa e sustentável, exigida no Acordo de Paris”, completou.

O relatório completo, em inglês, está disponível aqui.

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