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Desmatamento encarece energia no Brasil

Desmatamento reduz o volume de chuvas na Amazônia, pressiona a geração hidrelétrica e eleva o custo da energia com maior uso de termelétricas

Published 20/03/2026
Desmatamento Amazônia

O Greenpeace Brasil realizou sobrevoo no sul do Amazonas e no norte de Rondônia para monitorar o desmatamento e queimadas em julho de 2024. | Foto: © Marizilda Cruppe / Greenpeace

As chuvas formadas pela Amazônia têm impacto direto na economia brasileira — e sua perda já pode ser medida. Um estudo publicado recentemente na revista Communications Earth & Environment estimou que esse regime climático movimenta cerca de US$ 20 bilhões (R$ 103 bilhões) por ano. Na sequência, uma nova pesquisa passou a calcular quanto o desmatamento da floresta custa ao setor elétrico nacional, evidenciando um impacto que chega à conta de luz dos brasileiros e poderia ser evitado.

Segundo o levantamento, ao longo dos últimos 40 anos, o país deixou de economizar até US$ 1,1 bilhão (R$ 5,7 bilhões) por ano por não conter o avanço do desmatamento. A derrubada da floresta interfere diretamente na formação de chuvas que abastecem hidrelétricas consideradas estratégicas. Com menos água disponível, aumenta a necessidade de acionar termelétricas movidas a combustíveis fósseis — uma alternativa mais cara e com maior impacto ambiental, como destaca o jornal Valor Econômico.

Os dados fazem parte do estudo “Energia das Florestas: os custos sociais do desmatamento para o setor energético brasileiro”, elaborado pela Rede de Pesquisa em Produtividade & Sustentabilidade (Rede PP&S). Criada em 2025, a iniciativa reúne 14 pesquisadores ligados a instituições como FEA/USP, FGV/SP, FGV/Rio, PUC-Rio e Insper, com foco em compreender como preservação ambiental e desempenho econômico se influenciam mutuamente.

Desmatamento na Amazônia Legal. Foto: IBAMA

A análise também aponta que diferentes regiões da Amazônia têm importância equivalente para a segurança energética do país. Nesse contexto, os Territórios Indígenas localizados no chamado arco do desmatamento, faixa que atravessa o sul da floresta de leste a oeste, são decisivos para manter os serviços hidrológicos. As áreas preservadas do Parque Indígena do Xingu, por exemplo, concentram um valor estimado de cerca de US$ 5 bilhões associado à geração hidrelétrica. “Quem mais perde com o desmatamento da Amazônia é o consumidor”, afirma Rafael Araujo, professor-assistente de Economia na Escola de Economia de São Paulo (FGV EESP) e um dos autores do estudo. “O custo do desmatamento para o setor de energia tem que estar no debate público. Reflorestar não tem a ver só com emissões ou captura de carbono. Tem uma relação direta com o setor de energia”, completa.

Mesmo com esses impactos, a derrubada da floresta segue em curso. Dados do IMAZON mostram que, embora o desmatamento tenha recuado ao menor nível dos últimos sete anos no semestre, encerrado em janeiro de 2026, a situação ainda inspira atenção, especialmente nos estados do Pará, Acre e Amazonas, de acordo com o portal g1. Enquanto isso, iniciativas de fiscalização e pressão institucional tentam conter os danos. Em fevereiro, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas aplicou R$ 1,7 milhão em multas a três pessoas por desmatamento ilegal e outros crimes ambientais na região da Transamazônica (BR-230), segundo o g1. Paralelamente, entidades voltadas à transparência recorreram ao Supremo Tribunal Federal para solicitar medidas que impeçam o uso de emendas parlamentares no financiamento de obras de pavimentação de estradas associadas ao desmatamento ilegal e à invasão de Territórios Indígenas na Amazônia e em outros biomas, conforme a Folha.

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