A Green Mining está à frente do primeiro projeto no Brasil voltado à geração de créditos de carbono por meio da reciclagem, com potencial de movimentar até R$ 2,8 bilhões por ano. A iniciativa, inédita no país, representa um marco significativo no setor e trará benefícios diretos para os catadores e catadoras.
Reconhecida como referência em logística reversa inteligente e economia circular, a startup apresentou à certificadora internacional Gold Standard o primeiro Project Design Document (PDD) brasileiro focado nesse modelo. Considerando os níveis atuais de reciclagem, o Brasil já teria potencial para alcançar mais de R$ 144 milhões nesse mercado.
“Estamos abrindo um caminho inédito para que grandes investimentos sejam direcionados à economia circular no Brasil. É um avanço importante para a Green Mining, mas ainda maior para os catadores e recicladores do país, que terão a chance de receber diretamente esse valor adicional e ganhar protagonismo na transição climática”, afirma Rodrigo Oliveira, CEO da Green Mining.
Ao colocar a reciclagem no mercado global de crédito de carbono, a iniciativa reforça que resíduo é recurso: tanto para reinvestir na cadeia como para apoiar quem está na base.
A iniciativa tem como parceiros estratégicos o Banco do Brasil e a Kipos Soluções Ambientais, além do apoio de organizações como Global Forest Bond, Climate Ventures, Secretaria de Clima do Município de São Paulo e Desenvolve São Paulo.
Estações de reciclagem e impacto social direto
O projeto é baseado no programa Estação Preço de Fábrica, unidades que funcionam como hubs de coleta de recicláveis com rastreabilidade completa, compliance social e eliminação de atravessadores. Tais pontos de coleta garantem remuneração justa para milhares de profissionais que atuam na linha de frente da reciclagem, como catadores e carroceiros. Ao receberem o valor equivalente ao pago pela usina de reciclagem, esses profissionais conseguem aumentar sua renda em até 400% a 500%.
Presentes em diferentes regiões do Brasil, as Estações são desenvolvidas com o apoio de empresas como Grupo Boticário, EDP, Ibema, Indorama Ventures, Nude, Parque Global, Tesouro Nacional e B3. Agora, cinco das estações vão fornecer dados e evidências para a geração dos créditos de carbono. “Com os créditos de carbono, parte desse valor será diretamente compartilhada com os catadores, reforçando não apenas o caráter climático da iniciativa, mas também e especialmente o social”, afirma o executivo.
O projeto prevê a geração de 260 mil toneladas de créditos de carbono ao longo de 20 anos, com a expansão gradual das operações. Por enquanto, a expectativa é de que os primeiros créditos estejam prontos para comercialização em até seis meses, após a análise do PDD submetido à Gold Standard.
Como a reciclagem reduz emissões?
A retirada de matérias-primas virgens na natureza é um dos maiores responsáveis pelo aquecimento global. De acordo com o relatório Global Resources Outlook 2019 (UNEP/IRP), mais de 50% das emissões de gases de efeito estufa (GEEs) são causadas pela extração de recursos naturais. A reciclagem, ao evitar essa extração, atua como uma poderosa ferramenta de mitigação.
O PET reciclado reduz o uso de petróleo, o vidro reciclado reduz a retirada de areia (além do gasto energético), o alumínio, infinitamente reciclável, é outro grande exemplo. “O alumínio é emblemático. Sempre que conseguimos reciclá-lo, evitamos a extração da bauxita e todo o processo de transformação até o lingote, que consome uma quantidade absurda de energia. Quando reciclamos, conseguimos reduzir em até 95% esse gasto de energia”, explica Oliveira.
Exemplo brasileiro
A Green Mining vem estudando o mercado de crédito de carbono desde 2018 e aposta em modelos internacionais por considerá-los mais maduros. “A gente percebeu a importância de ter uma certificadora internacional envolvida, até que surja alguma certificação no Brasil que ganhe notoriedade. Todo o mercado espera isso, inclusive para reduzir os custos de certificação”, afirma o executivo.
No caso da Gold Standard, já existem dois projetos que receberam a certificação, ou seja, foram submetidos, analisados e certificados. O primeiro na Romênia e o segundo no Quênia.
“Estamos felizes em liderar esse mercado no país, porque o Brasil tem um potencial enorme para a evolução do setor, especialmente em um momento no qual os investimentos climáticos são fundamentais”, reitera Oliveira. O desafio dos resíduos sólidos continua imenso, mesmo com uma legislação com cerca de 15 anos (a PNRS) em vigor. “Ainda desperdiçamos grandes volumes de resíduos destinados incorretamente, além da desvalorização histórica aos catadores de materiais recicláveis. A Green Mining nasceu com o propósito de garantir o avanço da reciclagem brasileira com dignidade na cadeia de fornecimento. O pioneirismo faz parte do nosso DNA”, conclui.

