O Carnaval de Rua de São Paulo contou com uma grande operação de coleta de materiais recicláveis este ano. Como resultado, somente no Parque Ibirapuera, principal polo dos megablocos, foram 30,6 toneladas de materiais recicláveis recuperados.
A operação foi uma iniciativa da Associação Nacional dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis (Ancat), em parceria com a Ambev e a EcoUrbis – concessionária municipal responsável pela coleta de resíduos em mais da metade da capital paulista, com apoio institucional da Prefeitura de São Paulo.
Iniciando no Pré-Carnaval (7 e 8 de fevereiro), a ação seguiu nos dias oficiais de folia (14 a 17 de fevereiro) e terminou somente no Pós-Carnaval (21 e 22 de fevereiro). O montante coletado e destinado adequadamente evitou que toneladas de resíduos recicláveis tivessem como destino o aterro sanitário, o que contribui para o meio ambiente e ainda proporciona economia de recursos públicos.
Todo o material coletado foi destinado à Coopere Centro (Pré-Carnaval) e Casa do Catador (Carnaval e Pós), responsáveis pela comercialização dos recicláveis, assegurando que o valor gerado permaneça na própria cadeia da reciclagem.
A Ancat divulgou os números da operação e o impacto socioambiental, confira abaixo.
Bloco da Reciclagem no Ibirapuera
Com uma “Central de Triagem” instalada no Parque do Ibirapuera, catadores e catadoras trabalharam intensivamente. Do volume total coletado, aproximadamente 10,16 toneladas correspondem a alumínio, 18,60 toneladas a plástico e 2 toneladas a papel.
Outros dados interessantes do Bloco da Reciclagem no Ibirapuera:
- A operação garantiu 359 postos de trabalho
- Alcançou uma diária per capita 413,73% superior à diária equivalente ao salário mínimo proporcional
- O impacto social estimado corresponde a 14.218,89 refeições.
- Há equilíbrio de gênero (50,99% homens e 45,72% mulheres, com 1,64% de pessoas trans)
predominância de trabalhadores entre 31 e 60 anos - Há forte presença de pessoas pardas (47,83%) e pretas (27,95%)
No campo habitacional, chama atenção que 29,12% estejam em situação de rua e 3,86% em centros de acolhida, enquanto apenas 25,26% possuem moradia própria, reforçando o contexto de vulnerabilidade socioeconômica.
Do ponto de vista ambiental, as 30,6 toneladas recuperadas representam:
- Economia de 92,87 barris de petróleo
- Preservação de 45,04 toneladas de bauxita
- Economia de 234,29 mil kWh de energia
- Mitigação de 130.054,21 kg de CO₂
Os números demonstram que a reciclagem estruturada em grandes eventos é capaz de gerar benefícios mensuráveis à conservação de recursos naturais, ao mesmo tempo em que fortalece a cadeia produtiva da reciclagem e a economia circular no município. As ações ainda podem se estender para além do evento, como foi o caso de Salvador, cuja coleta de recicláveis levou a capital a entrar no Guinness World Records. O feito foi alcançado ao recuperar mais de 46 toneladas de alumínio.
Catadores no centro da operação
Para a Ancat, o desempenho desta edição consolida o protagonismo dos catadores na maior festa popular do país e evidencia que políticas de inclusão produtiva podem caminhar lado a lado com metas ambientais robustas.
“Ao garantir estrutura adequada, equipamentos de proteção, preço justo e remuneração digna, o Bloco da Reciclagem reafirma que sustentabilidade e justiça social são dimensões indissociáveis na construção de cidades mais resilientes”, destaca o presidente da Ancat, Roberto Rocha.
Participaram da operação as cooperativas Coopere Centro, Coopamare, Cooperpoba, Grupo Luz Divina e Casa do Catador, com parceria do Instituto Rede CataSampa, do Comitê da Cidade do MNCR – Movimento Nacional dos Catadores, do Movimento Nacional de Luta em Defesa da População em Situação de Rua (MNLDPSR) e Pimp My Carroça.

