O Governo da Colômbia e o Governo dos Países Baixos apresentaram na terça-feira (23) o relatório final da Primeira Conferência sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis (TAFF-1), realizada em Santa Marta entre 24 e 29 de abril de 2026.
A publicação ocorre após a Cúpula Global sobre Transição Energética e Eletrificação da Semana de Clima de Londres (LCAW) e coincide com a entrega formal das conclusões dos copresidentes — Colômbia e Países Baixos — à Presidência da COP30, com o objetivo de contribuir para os esforços globais de avanço da transição para longe dos combustíveis fósseis.
“A entrega do Relatório de Santa Marta à Presidência da COP30 marca um passo importante para enfrentar tanto a crise climática quanto a insegurança energética, profundamente ligadas à dinâmica dos mercados de combustíveis fósseis. Esta sempre foi uma conversa difícil, mas que a Coalizão de Santa Marta decidiu enfrentar de frente”, afirma Irene Vélez Torres, ministra do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Colômbia. Segundo ela, a transição para longe dos combustíveis fósseis […] “se tornou uma agenda global, baseada na ciência e impulsionada pela sociedade civil. Países, povos e governos subnacionais podem trabalhar juntos para promover soluções concretas e tornar realidade uma transição justa e urgente”.
Já Stientje van Veldhoven, ministra de Política Climática e Crescimento Verde dos Países Baixos, salientou que a primeira conferência sobre a transição para longe dos combustíveis fósseis lançou as bases para ações concretas rumo à redução da dependência dos combustíveis fósseis. “Com uma coalizão tão ampla de países e representantes do setor privado, da sociedade civil e de outros segmentos, trata-se de um grupo capaz de gerar impacto significativo. Os países reunidos na Colômbia representam cerca de 30% da demanda global por energia e aproximadamente 20% da oferta mundial”.
O relatório servirá de insumo tanto para a segunda conferência, em Tuvalu, quanto para o processo da COP.
Relatório final de Santa Marta
O documento é o principal resultado da Primeira Conferência sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis (TAFF-1), um processo internacional multissetorial coorganizado pela Colômbia e pelos Países Baixos que reuniu governos, sociedade civil, povos indígenas, setor privado, academia e juventude de 57 países.
O objetivo do processo foi deslocar a conversa global do compromisso para a implementação, criando um espaço sem precedentes de cooperação para acelerar uma transição justa, ordenada e equitativa, compatível com a meta de limitar o aquecimento global a 1,5°C.
5 inovações centrais
1. Transição como transformação econômica e soberania energética
O relatório apresenta a transição para longe dos combustíveis fósseis não apenas como uma necessidade climática, mas como uma agenda de transformação econômica e soberania energética, que exige mudanças estruturais nos sistemas econômicos e de governança que sustentam a dependência de atividades extrativas, especialmente no Sul Global.
2. Coerência entre clima e economia
O documento destaca que a ambição climática não pode avançar isoladamente. É necessário alinhar os processos da Convenção do Clima da ONU (UNFCCC) com debates internacionais sobre comércio, dívida, tributação, financiamento e investimento, garantindo ao mesmo tempo uma abordagem baseada em direitos e adaptada às realidades territoriais.
3. Coalizão aberta para implementação
O processo criou uma coalizão flexível de implementação que reúne 57 países, 14 capítulos temáticos de partes interessadas e três frentes de trabalho voltadas à transformação da ambição em ação concreta.
4. Das diagnósticos às soluções
O relatório identifica caminhos concretos para acelerar uma transição justa e ordenada, incluindo:
- Roadmaps nacionais de transição baseados na ciência;
- Reformas na arquitetura financeira internacional para enfrentar o peso das dívidas e dos subsídios aos combustíveis fósseis;
- Estratégias para descarbonizar balanças comerciais.
5. Renovação do multilateralismo
O processo de Santa Marta é apresentado como uma demonstração de que atores diversos ainda podem convergir em torno de soluções comuns, fortalecendo confiança, solidariedade e cooperação em um contexto geopolítico fragmentado.
As conclusões do relatório resultam de um processo participativo de seis meses que envolveu mais de 1.500 participantes de 57 países;
Áreas prioritárias de ação
Os participantes construíram uma visão comum baseada em cinco áreas prioritárias:
- Fortalecimento da cooperação internacional;
- Maior coerência entre políticas públicas;
- Desenvolvimento de roadmaps nacionais e regionais de transição;
- Transformação dos sistemas financeiros para apoiar a transição;
- Alinhamento do comércio e dos investimentos com a transformação econômica verde.
O relatório também estabelece um marco para a continuidade da cooperação internacional por meio de grupos de trabalho dedicados ao apoio a estratégias nacionais, mobilização de financiamento, superação de barreiras estruturais e intercâmbio de soluções práticas.
Próximos passos
O Processo de Santa Marta continuará por meio de três frentes de trabalho:
- Apoio a roadmaps nacionais e regionais de transição;
- Superação de dependências macroeconômicas e reforma da arquitetura financeira internacional;
- Descarbonização das balanças comerciais e promoção da transformação econômica verde.
A segunda Conferência sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis será realizada em 2027, com copresidência de Tuvalu e Irlanda, dando continuidade ao processo e aprofundando a implementação das ações acordadas.

