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Oceanos absorveram níveis recordes de calor em 2021

Taxa de absorção de calor pelos oceanos nos últimos 40 anos está ligada às emissões provocadas pelo homem

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Foto: Marek Okon | Unsplash
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Uma análise publicada na revista Advances in Atmospheric Sciences na segunda semana de 2022, traz um dado alarmante: mais uma vez, os oceanos absorveram níveis recordes de calor em 2021. Estes dados se somam a uma tendência de aquecimento constante e perigosa de 63 anos, alimentada pelas emissões de gases de efeito estufa geradas pelo homem. Esta é a conclusão de um estudo recente de pesquisadores da China, Itália e Estados Unidos.

Esta “tendência ascendente de longo prazo” mostrou aumentos dramáticos nos últimos anos, com os oceanos aquecendo oito vezes mais rápido desde o final da década de 1980 do que nas três décadas anteriores, disse o coautor do estudo John Abraham, que é professor de engenharia térmica na Universidade St. Thomas, em Minnesota (EUA).

A análise foi matéria no Washington Post e confirma ainda que a taxa de absorção de calor dos oceanos, especialmente nos últimos 40 anos, seria impossível na ausência de emissões de carbono produzidas pela atividade humana. Estudos anteriores já haviam demonstrado que metade dos oceanos já está afetada por mudanças climáticas.

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“Acumulamos tanto gás de efeito estufa que os oceanos começaram a receber uma quantidade crescente de calor, em comparação com o que eram anteriormente.”

– John Abraham
Foto: Pixabay

Analisando dados de uma rede planetária de bóias colocadas em sete bacias oceânicas, a equipe de pesquisa descobriu que “os 2.000 metros superiores dos oceanos da Terra absorveram mais de 227 zetta joules em excesso de energia em comparação com a média de 1981-2010. O ano passado quebrou o recorde anterior estabelecido em 2020 em pelo menos 14 zetta joules”.

Lijing Cheng, principal autor do estudo e professor associado de física atmosférica da Academia Chinesa de Ciências, explica que os oceanos armazenam “mais de 90% do ganho líquido de calor da Terra devido aos gases de efeito estufa”, observou. 

“O recorde de aquecimento dos oceanos em 2021 é uma forte evidência de que o aquecimento global continua.”

– Lijing Cheng
Foto: Yannis Papanastasopoulos | Unsplash

Com águas mais quentes vieram eventos climáticos mais extremos, de furacões a bolhas de calor. Para cada 1,8 graus de aquecimento, os eventos de chuva forte se intensificarão em cerca de 7%. Este dado é particularmente preocupante se considerarmos que 2021 já trouxe uma série de eventos climáticos extremos incluindo enchentes e tornados.

Além dos danos irreversíveis que o aquecimento dos oceanos provoca na vida marinha, como o branqueamento de corais, as altas temperaturas provocam também o aumento do nível do mar

Em entrevista ao Washington Post, o coautor do estudo e cientista climático da Universidade Estadual da Pensilvânia, Michael Mann, disse que o aquecimento no Oceano Antártico “está desestabilizando as plataformas de gelo da Antártida por baixo, o que pode levar ao colapso de grandes pedaços da camada de gelo, como a geleira Thwaites, trazendo uma ameaça enorme de aumento do nível do mar.” 

A velocidade com que os oceanos do mundo estão aquecendo “realmente ressalta a urgência de agir no clima agora”, alertou Michael Mann.

Foto: Jonathan Cooper | Unsplash

Na semana passada, o relatório anual do clima global da NASA descobriu que as temperaturas da superfície de 2021 foram as sextas mais quentes desde que os registros começaram em 1880.

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