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Na ONU, Alana pede foco em crianças no clima

Organização apresenta diretrizes para incluir direitos e vozes de crianças e adolescentes na estratégia de Empoderamento Climático da ONU

Published 08/06/2026

Foto: Ricardoricardo618, CC BY-SA 3.0 | Wikimedia Commons

O Alana, organização da sociedade civil dedicada à garantia dos direitos das crianças e adolescentes, participa em junho da Conferência de Mudanças Climáticas de Bonn (Sessão dos Órgãos Subsidiários da UNFCCC), na Alemanha, que acontece de hoje a 18 de junho. Durante o evento, que serve como o principal encontro técnico e diplomático preparatório da ONU para a COP climática, a organização apresentará o documento técnico “Children as a primary consideration under the ACE Midterm Review” (“Crianças como consideração principal na Revisão de Meio Termo do ACE”).

O texto destaca que crianças são desproporcionalmente afetadas pela crise climática, sofrendo impactos diretos em sua educação, saúde, bem-estar e no acesso a ambientes seguros. Ele também reforça que esses impactos não são distribuídos de maneira uniforme, pois crianças afrodescendentes, indígenas, com deficiência ou que vivem em situação de pobreza e em territórios vulneráveis enfrentam riscos agravados devido a desigualdades estruturais e ao racismo climático.

Por isso, o Alana argumenta que a Revisão de Meio Termo do programa de Ação para o Empoderamento Climático (ACE – na sigla em inglês) é uma oportunidade crítica para que a comunidade internacional deixe de reconhecer as crianças apenas como grupos vulneráveis, passando a garantir a sua inclusão institucionalizada e financiada em todas as políticas de implementação climática. O documento defende que o ACE não deve ser tratado como uma agenda secundária ou isolada. Pelo contrário, ele deve atuar como um mecanismo de entrega para ações climáticas sensíveis às crianças, integrado, por exemplo, aos planos nacionais de adaptação. Além disso, apresenta a educação baseada na natureza como uma estratégia-chave para fortalecer a resiliência e o acesso à informação.

Foto: Marcello Casal Jr | ABr

Para mostrar que a inclusão e a participação ativa das infâncias são caminhos viáveis e eficazes, o documento reúne exemplos práticos de metodologias que podem ser escaladas. O texto recomenda a garantia de mecanismos seguros e formais para que a opinião infantil seja considerada nas decisões climáticas, destacando o sucesso das MiniCOPs, que apenas em 2025 contou com 125 edições em 10 países, envolvendo diretamente mais de 4.400 crianças. Outra iniciativa de destaque são as Cartas Climáticas das Crianças para os negociadores da COP30, que reuniram mais de 1.300 mensagens conectando as vivências e demandas infantis diretamente à diplomacia climática.

“A Conferência de Bonn é o momento em que as decisões globais começam a tomar forma e as bases para a COP são construídas. Apresentar este documento aqui é garantir que crianças e adolescentes não sejam tratadas apenas como vítimas das mudanças climáticas, mas como agentes fundamentais de transformação e resiliência”, afirma Letícia Carvalho Silva, Coordenadora de Assuntos Internacionais do Alana. “A revisão do ACE é a nossa janela de oportunidade para institucionalizar a educação climática e a participação infantil segura nas políticas de todos os países. Não podemos planejar o futuro do clima de forma justa sem colocar as infâncias no centro das mesas de negociação hoje.” 

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