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Mudanças nas emissões globais de CO2: EUA sobem e China cai

Entre os dois maiores emissores do mundo, os dados mostram “uma reversão da tendência usual da última década”

Published 01/09/2025
Shangai

Shangai. Foto: iStock

De acordo com o  Carbon Monitor, um rastreador de emissões globais de gases de efeito estufa liderado pela Universidade Tsinghua, o Laboratório de Ciências Climáticas e Ambientais da França, a Universidade da Califórnia, Irvine, e o Instituto de Ciências Geográficas e Recursos Naturais da China, os dois principais emissores de CO2 do mundo estão invertendo suas posições.

De acordo com o último relatório, entre janeiro e junho de 2025, as emissões dos EUA aumentaram 4,2%, enquanto as da China caíram 2,7%, em comparação com o mesmo período em 2024, apontando para uma grande mudança de papéis, caso essa tendência continue.

Na China, as emissões caíram 1,4% no setor energético e na indústria, mantendo-se estatisticamente estáveis ​​em todos os outros setores econômicos. Os Estados Unidos foram um dos três países, juntamente com o Japão e o Brasil, que viram as emissões aumentarem em toda a sua economia — incluindo aumentos de 2% no transporte terrestre e de 1,3% no setor energético.

Em todos os países individuais no banco de dados do Carbon Monitor, a Espanha registrou o maior aumento de emissões, 6%, seguida pelo Brasil com 5,6%, Alemanha com 5,2%, União Europeia mais Reino Unido com 4,6% e EUA com 4,2%.

Emissões globais de CO2. Fonte: Carbon Monitor

Maiores emissores de CO2 do mundo

Entre os dois maiores emissores do mundo, os dados mostram “uma reversão da tendência usual da última década, quando as emissões globais de gases causadores do efeito estufa aumentaram gradualmente, em grande parte porque as reduções nos EUA foram compensadas pela maior emissão de CO2 da China. Isso também ocorre depois de décadas de políticos americanos de ambos os partidos reclamarem da incapacidade da China de corrigir seus problemas”, de acordo com o portal Político.

Dados da Agência Internacional de Energia (AIE) mostram que o consumo de carvão na China caiu 2,6% no primeiro semestre do ano, em grande parte devido ao boom da energia solar, que levou o país a adicionar 92 gigawatts de capacidade — ou seja, 92 bilhões de watts — em um único mês em maio, em comparação com as instalações históricas dos EUA de 134GW.

Foto: Governo do Piauí

Isso reflete uma mudança fundamental na forma como a China consome energia, disse Glen Peters, do Centro de Pesquisa Climática Internacional (CICERO), com sede em Oslo. É importante ressaltar que ainda seja cedo para declarar uma mudança permanente. Os números ainda podem ser alterados por fatores como clima, tendências econômicas de curto prazo e preços do gás natural.

“Mesmo que as emissões chinesas diminuam este ano, eu não diria que elas atingiram o pico”, disse Glen. “Gostaria de ver as emissões em tendência de queda por alguns anos.”

Ainda de acordo com os dados da AIE, as emissões per capita dos EUA ainda estão bem acima das da China. Com a política adotada por Donald Trump para aumentar a produção de combustíveis fósseis e revogar incentivos e contratos confirmados para energia renovável, Rob Jackson, cientista de sistemas terrestres da Universidade Stanford, afirmou que as tendências mais amplas são claras — mesmo que seja muito cedo para dar um parecer finais sobre os dados de 2025.

“É justo dizer que a China e os EUA estão em trajetórias diferentes agora”, disse Rob Jackson ao Político, com a adoção chinesa de tecnologias limpas provavelmente reduzindo as emissões nos próximos cinco anos. Os EUA, por outro lado, estão “caminhando na direção oposta”.

“Jatos particulares e aviação de pequenas empresas causam uma quantidade desproporcional de ruído e emissões de CO2 por passageiro – cerca de 20 vezes mais CO2 em comparação com um voo comercial”. Foto: Wouter Supardi Salari | Unsplash

Investimento em renováveis bate recorde

Segundo a última edição do Rastreador de Investimentos em Energia Renovável da BloombergNEF (BNEF), o investimento global em novos projetos de energia renovável atingiu o recorde de US$ 386 bilhões no 1º semestre deste ano, um aumento de 10% em relação a igual período de 2024. O crescimento se deu mesmo com o recuo nos Estados Unidos, onde os investimentos em renováveis despencaram 36%.

O investimento subiu, mas o financiamento foi em ritmo oposto. Segundo a análise da BNEF, o financiamento de ativos para energia solar em larga escala e energia eólica onshore nos seis primeiros meses de 2025 diminuiu 13% em comparação com o 1º semestre do ano passado. Foi a menor participação no investimento total desde 2006.

A eletricidade dos ventos em alto-mar está preparada para um crescimento global. | Foto: Pixabay

O investimento em energia solar fotovoltaica de grande porte foi particularmente afetado, com redução de 19%. Os mercados que registraram as maiores quedas – incluindo China continental, Espanha, Grécia e Brasil – registraram crescentes cortes de investimentos e maior exposição a preços negativos de energia. No entanto, a queda foi compensada com folga pela expansão de projetos solares de pequeno porte.

A energia eólica offshore também contribuiu, atraindo US$39 bilhões de janeiro a junho deste ano, ante US$31 bilhões investidos em igual período de 2024. A expansão é impulsionada por grandes projetos e pelo cronograma de leilões governamentais de vários países.

Das regiões analisadas pela BNEF, os EUA registraram a maior queda em novos investimentos em energia renovável, com gastos comprometidos abaixo de US$20,5 bilhões. Além das mudanças nas políticas estadunidenses de estímulo às renováveis, a incerteza em torno dos “tarifaços” do presidente Donald Trump contribuiu para a queda, ressalta a Bloomberg.

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