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Focos de fogo caem 46% no Brasil no 1º semestre, aponta INPE

Dados preliminares do LASA/UFRJ mostram ausência de focos de fogo em três biomas em junho, além de redução nos demais

Published 09/07/2025
Desmatamento

Fogo em Mato Grosso do Sul, 2020. Foto: Silas Ismael | WWF-Brasil

O Brasil registrou uma queda expressiva no número de focos de fogo no primeiro semestre de 2025. De acordo com o INPE, houve uma redução de 46% em relação ao mesmo período de 2024. O Laboratório de Aplicações de Satélites (LASA), da UFRJ, também identificou essa tendência, com uma diminuição de 47% na comparação entre os dois anos.

Segundo os dados do INPE, entre janeiro e junho deste ano foram registrados 19.277 focos de fogo no país, frente a 35.938 no mesmo intervalo de 2024. O estado com maior número de ocorrências foi o Mato Grosso, com 3.538 focos (18,4% do total), seguido por Tocantins (2.623, ou 13,6%), Bahia (1.992, ou 10,3%) e Maranhão (1.946, ou 10,1%).

O Pará, que costuma liderar esse tipo de ranking, ficou em quinto lugar, com 1.203 registros (6,2%). O estado-sede da COP30 apresentou uma queda de 37% em relação aos seis primeiros meses de 2024, quando foram registrados 1.904 focos pelo INPE. Apesar da alta posição, a participação do Pará no total nacional caiu para 5,3%.

Fogo na floresta amazônica. Foto: João Marcos Rosa | Nitro

Já a Folha de S.Paulo destacou números do LASA/UFRJ, que contabilizou 17.608 focos de calor no país entre 1º de janeiro e 23 de junho de 2025, contra 33.368 no mesmo período de 2024. Para o secretário de Controle do Desmatamento do Ministério do Meio Ambiente (MMA), André Lima, essa redução reflete ações do governo após a crise do fogo vivida em 2024.

A expectativa é que neste ano a gente tenha menos incêndios do que no ano passado. Porém, é o terceiro ano seguido com chuvas abaixo da média, então estamos com todos os esforços voltados para melhorar o sistema [de proteção] e implantar efetivamente a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, que é a grande novidade do ano passado para cá”, afirmou.

Em 2024, a seca chegou mais cedo e provocou uma explosão de incêndios já em junho — quando normalmente o aumento dos focos ocorre apenas no segundo semestre. Em 2025, o cenário mudou. Na primeira quinzena de junho, a área queimada foi de 91,3 mil hectares, uma redução de 87% em relação aos 703,8 mil hectares registrados no mesmo período do ano anterior.

Enquanto em 2024 todos os biomas já apresentavam aumento nos incêndios em junho, em 2025 o Pampa, a Mata Atlântica e o Pantanal — este último o mais afetado pelo fogo no primeiro semestre do ano passado — não tiveram nenhuma área queimada até agora. Na Amazônia, Caatinga e Cerrado, a queda foi de aproximadamente 80%.

Apesar da melhora, Lima alerta que o período mais crítico dos incêndios florestais ainda está por vir: “Não posso comemorar, porque de fato a seca vai começar agora em julho, agosto e vai até setembro, outubro. Certamente teremos incêndios em todos os biomas, mas a expectativa é que, em função do fator climático mais próximo do normal, a gente tenha menos incêndios”.

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