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Financiamento de adaptação equivale a um dia de subsídios a fósseis

São US$ 24 bilhões para adaptação climática, o que representa menos de 1% dos US$ 7 trilhões anuais destinados a subsidiar fontes fósseis

Published 18/06/2026
inundação com carros embaixo da agua - cursos adaptação climática

Foto: Chris Gallagher | Unsplash

A Conferência do Clima de Bonn, que acontece na Alemanha, chega ao seu último dia com negociações intensas sobre os caminhos da ação climática global. Um dos pontos centrais em debate é o financiamento para adaptação às mudanças do clima, tema que expõe uma diferença enorme entre o que é prometido e o que de fato é investido. Segundo a análise da LACLIMA, essa lacuna financeira pode comprometer diretamente a proteção das populações mais vulneráveis, justamente em um momento em que os impactos da crise climática se tornam mais frequentes e severos em todo o mundo.

Os SBs (Subsidiary Bodies, ou Órgãos Subsidiários da UNFCCC) são as conferências que ocorrem anualmente em Bonn e têm a função de preparar textos que serão posteriormente deliberados nas COPs. No agora SB 64, os três principais fundos multilaterais (Fundo de Adaptação, GEF e GCF) apresentaram seus números atualizados sobre a adaptação climática: uma carteira histórica acumulada de aproximadamente US$ 24 bilhões.

Ainda que o valor soe relevante, quando dimensionado, mostra-se muito aquém das necessidades atuais. Para dimensionar a insuficiência desse montante, a LACLIMA reuniu comparações que evidenciam as atuais prioridades financeiras globais.

Todo o financiamento histórico para adaptação, implementado por meio da arquitetura da UNFCCC, equivale a:

Na COP 30, os países aprovaram os Indicadores de Adaptação de Belém (Belém Adaptation Indicators – BAI), um conjunto de métricas destinadas a acompanhar o progresso das iniciativas de adaptação. Muitos países em desenvolvimento argumentam que monitorar indicadores terá impacto limitado sem resolver a lacuna de financiamento. “Há um esforço crescente para conectar adaptação e financiamento climático”, pontua Gabriel Mantelli, coordenador de políticas climáticas da LACLIMA. A demanda central é por um roteiro que garanta meios de implementação: recursos públicos, previsíveis, acessíveis e transferência de tecnologia.

Conscientização sobre os riscos e as ações para reduzi-los aumentaram globalmente, mas medidas de adaptação têm sido insuficientes diante da magnitude do problema. Cena do desastre causado pelo excesso de chuvas em Petrópolis, no Rio de Janeiro. Foto: Tânia Rego | Agência Brasil

Impasses e decisões adiadas

Chegando ao fim do evento, a LACLIMA destaca a dificuldade nas negociações, inclusive nas metas de adaptação e mitigação. Na Meta Global de Adaptação (GGA), países em desenvolvimento bateram o pé pela inclusão de um compromisso explícito para triplicar o financiamento da área, o que foi rejeitado por países desenvolvidos. Já na pauta de mitigação, a divergência entre blocos que pedem aumento de ambição versus os que focam na implementação deixou o Programa de Trabalho de Mitigação (MWP) ameaçado, ainda sem consenso claro sobre sua continuidade.

A LACLIMA acompanhou diretamente 18 frentes temáticas em salas de negociação durante a SB 64. Com o término da conferência, a organização publicará um documento escrito resumindo os resultados de todos os itens acompanhados. As quatro sessões de reportes estão disponíveis na íntegra no Youtube da LACLIMA (aqui). 

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