A Aliança dos Povos pelo Clima foi lançada no Brasil como herdeira direta da histórica “Aliança dos Povos da Floresta”, criada nos anos 1980 por Chico Mendes, Raoni Metuktire, Ailton Krenak e outras lideranças. Quarenta anos depois, diante do agravamento da crise climática, o novo pacto reúne indígenas, quilombolas, extrativistas, ribeirinhos, pescadores artesanais, beiradeiros e juventudes urbanas em uma mobilização nacional que coloca a diversidade no centro da resposta à emergência planetária.
Em 1984, a Aliança original foi decisiva para conter a devastação da floresta e conquistar avanços inéditos. Entre seus frutos estão a criação das reservas extrativistas e a inclusão do artigo 231 da Constituição Federal, que garante o reconhecimento dos direitos originários dos povos indígenas às suas terras. Esse legado agora serve de base para a nova etapa da mobilização, voltada a enfrentar os efeitos globais das mudanças climáticas.
O manifesto de lançamento — publicado em Mebêngôkre, língua falada pelo povo Kayapó — alerta que os impactos já são visíveis nos territórios: rios que secam, espécies que desaparecem, insegurança alimentar crescente e modos de vida tradicionais ameaçados pelo avanço do agronegócio, da mineração, da grilagem e das queimadas. A nova Aliança surge, portanto, para denunciar esses processos, propor soluções e fortalecer a voz de quem há séculos protege a floresta.
Entre os integrantes da nova articulação estão Ana Rosa, Anderson Santos (Ganga), Angélica Mendes, Arewana Juruna, Benezildo Silva, Gleiciane Pismel, Isis Tatiane dos Santos (Tati Quilombela), Jaciara Borari, Jefferson Tupari Mukarap, Joelmir Silva, Matsi Waura Txucarramãe, Samsara Nukini, Sara Lima, Silvia Rocha, Tailani Wajuru, Val Munduruku, Walter Kumaruara, Xulu Waura e Yakarewa Juruna.
Mais do que um movimento político, a Aliança se define como um espaço de encontro entre povos, territórios e saberes. Seus objetivos incluem ampliar alianças estratégicas, influenciar políticas públicas e garantir protagonismo às juventudes indígenas, quilombolas, ribeirinhas e beiradeiras — inclusive em espaços internacionais como a COP30. A iniciativa também convida movimentos sociais, organizações civis, universidades, artistas e cidadãos a se somarem ao esforço coletivo por justiça climática.
O lançamento simboliza uma nova etapa da luta socioambiental no país, sustentada na visão de que a floresta é um sujeito vivo e de que a diversidade cultural e espiritual dos povos tradicionais é parte essencial das soluções diante do colapso climático.
O manifesto completo está disponível em: www.povospeloclima.org

