Ícone do site

Guia orienta migração da pecuária para sistema agroflorestal

Transição da pecuária para agroflorestas pode dobrar a renda do produtor e trazer benefícios climáticos e de segurança alimentar

Published 23/07/2026
guia de transição para sistemas agroflorestais

Foto: ProVeg

A pecuária está associada ao desmatamento, perda de biodiversidade e agravamento da emergência climática. Já a produção de alimentos em agroflorestas ajuda a enriquecer o solo, preserva a biodiversidade, diminui a emissão de gases de efeito estufa e garante alimentos mais saudáveis para a população. Além disso, a renda do produtor rural pode dobrar quando comparamos a pecuária com a implementação de sistemas agroflorestais nas propriedades. Mas para fazer essa transição, é preciso conhecimento e planejamento.

Com esse objetivo, O guia “Semeando o Amanhã” reúne orientações práticas para apoiar a transição da pecuária para sistemas agroflorestais vegetais, trazendo dados, estudos de caso, dúvidas comuns e um passo a passo que facilita o planejamento dessa mudança de forma gradual e adaptada à realidade de cada propriedade, destacando seu potencial de aumentar a renda, diversificar a produção e gerar benefícios ambientais e sociais.

O documento orienta sobre como implementar sistemas agroflorestais (SAFs) de produção vegetal, promovendo um modelo de produção rural que alia aumento da renda no campo à regeneração ambiental e à segurança alimentar, oferecendo uma alternativa econômica viável e sustentável para a agricultura familiar.

Sistemas agroflorestais podem ser implantados em todos os biomas brasileiros. Fonte: Semeando o Amanhã | ProVeg

“A importância deste guia reside na urgência de transformar o sistema alimentar brasileiro. A aceleração da transição da pecuária para agroflorestas, com a priorização da produção vegetal, é uma solução estratégica para contribuir para a produção de alimentos e a preservação do planeta, garantindo o direito à alimentação adequada e saudável enquanto recupera áreas degradadas“, explica Aline Baroni, diretora executiva da ProVeg Brasil, que desenvolveu o guia em parceria com a Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Estado do Paraná (Fetaep).

Atualmente, a pecuária está associada a cerca de 60% das emissões de gases de efeito estufa no país e a 90% do desmatamento na Amazônia. Embora a agricultura ocupe apenas metade da área destinada à pecuária, ela fornece quase o dobro de calorias in natura para a população.

Ao promover a migração para SAFs vegetais, o setor agrícola ganha eficiência no uso de recursos. O incentivo a essa mudança produtiva é fundamental para que o Brasil cumpra metas climáticas globais e fortaleça a agricultura familiar, criando um modelo de desenvolvimento rural que respeita os limites planetários.

Foto: Semeando o Amanhã | ProVeg

“A agrofloresta vegetal pode ser a peça que conecta as ambições discutidas na COP30 na área de sistemas alimentares e uso do solo com a realidade produtiva. Com este material, oferecemos o suporte necessário para produtores e extensionistas rurais que estão em campo. A transição justa tem que deixar de ser apenas um conceito e se tornar uma estratégia concreta de prosperidade no campo”, ressalta Aline Baroni.

Clima, renda e alimentação saudável

O conteúdo do guia é sustentado pelo relatório “Aumentando a Renda, Respeitando o Planeta, Nutrindo Pessoas”, coordenado pela ProVeg Brasil e realizado pela OCA (Organização Cooperativa de Trabalho, Serviços, Projetos e Consultorias em Agroecologia).

Foto: Semeando o Amanhã | ProVeg

O estudo revela dados impressionantes: a transição da pecuária para SAFs vegetais em média dobra a renda líquida do produtor por hectare. Em cenários de baixa produtividade pecuária substituída por sistemas biodiversos com acesso a mercados especiais, superando financeiramente todas as modalidades de pecuária analisadas em todos os biomas brasileiros.

Além do ganho financeiro, o relatório destaca o impacto social e climático da transição justa. Enquanto a pecuária gera apenas 7 empregos para cada R$ 1 milhão produzido, as agroflorestas vegetais geram 30 postos de trabalho, combatendo o êxodo rural.

Ambientalmente, a mudança transforma pastagens em sumidouros de carbono, gerando emissões negativas e mitigando os efeitos da crise climática. O relatório conclui reforçando a necessidade de políticas públicas e articulações financeiras que viabilizem essa nova fronteira produtiva no campo.

Foto: Semeando o Amanhã | ProVeg

Conheça o projeto piloto no Paraná

O piloto do Projeto Cultiva nasce a partir da trajetória do Seu José, agricultor familiar que, ao longo dos anos, buscou alternativas para manter a sustentabilidade econômica da sua propriedade. Após experiências com a avicultura e, posteriormente, com a pecuária leiteira e de corte — marcadas por altos custos e instabilidade —, em 2025, a família iniciou a transição para um sistema agroflorestal, com apoio da ProVeg Brasil, vendendo o rebanho gradualmente e reinvestindo na nova produção, que envolve hortaliças, frutas, tubérculos, café sombreado, erva-mate e reflorestamento por meio de árvores nativas.

Sair da versão mobile