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Com mutirões, Recife começa a implantar corredor agroecológico

Iniciativa aposta em plantio de alimentos sem agrotóxicos em áreas urbanas

Published 27/03/2025
corredor agroecológico

Mutirão de plantio de milho marca a implantação do Primeiro Corredor Agroecológico do Recife. | Foto: Hélia Scheppa | Prefeitura do Recife

A agricultura urbana é considerada pela ONU uma poderosa aliada no combate à fome e à mudança climática – dois grandes problemas que devem ser enfrentados em todo o mundo. Inserir as pessoas nesse processo é essencial. Um bom exemplo vem sendo implementado em Recife. Com ajuda da população, a capital pernambucana está criando seu primeiro corredor agroecológico.

Indo muito além do plantio de alface e ervas, comumente encontrados em projetos de hortas urbanas de prefeituras, a ideia da iniciativa é implementar o cultivo de sementes de arroz, crotalária, feijão, feijão-de-porco, gergelim, girassol, guandu, milho, entre outros alimentos. Algumas das espécies são especialmente pensadas para ajudar a enriquecer o solo e afastar “bichinhos indesejados”.

“Essa iniciativa une cultivo sem agrotóxicos e preservação da biodiversidade em áreas urbanas, enfrentando desafios como a escassez de espaços verdes e a desigualdade no acesso à terra. Estamos trazendo para o Recife um modelo consolidado há mais de uma década, com o objetivo de fortalecer a segurança alimentar, valorizar as sementes crioulas e promover territórios livres de transgênicos”, destaca Adriana Figueira, secretária executiva de Agricultura Urbana da cidade.

Foto: Hélia Scheppa | Prefeitura do Recife

Mutirões agroecológicos

A ação inaugural para a implantação do corredor agroecológico ocorreu em 18 de março com o plantio de milho crioulo na Escola de Agroecologia do Recife – Sítio Natan Valle. Já na última segunda (24), um mutirão de plantio de milho ampliou a produção da Horta Comunitária Mãos de Milagres, no bairro do Ibura. Por lá, a Prefeitura do Recife já havia implantando uma farmácia viva e um pomar. Esta última ação incluiu milho em consórcio com feijão e jerimum.

Foto: Hélia Scheppa | Prefeitura do Recife

O milho cresce verticalmente, formando uma haste que serve de suporte para o feijão de corda, enquanto o jerimum atua como uma cobertura viva do solo. Essa interação evita o crescimento de ervas daninhas e outras plantas indesejadas, além de reduzir a incidência de parasitas. Uma planta ajuda a outra”, explica a técnica em Agroecologia da Secretaria Executiva de Agricultura Urbana, Nathália Mesquita, em matéria publicada pela própria prefeitura.

Horta Comunitária Mãos de Milagres. Foto: Wagner Ramos | Prefeitura do Recife

Ao longo do mês, outros seis mutirões foram sendo realizados em diferentes locais da cidade, sendo que o último está marcado para o dia primeiro de abril no CAPS Espaço Livremente.

Horta Comunitária Mãos de Milagres. Foto: Wagner Ramos | Prefeitura do Recife

Os mutirões agroecológicos abrangem hortas comunitárias, escolas, creches e centros de convivência. Todas as atividades são abertas ao público e não exigem inscrição prévia.

Horta Comunitária Mãos de Milagres. Foto: Wagner Ramos | Prefeitura do Recife

Agricultura urbana e mudanças climáticas

Ações de restauração de áreas degradadas e desenvolvimento da agricultura urbana são consideradas formas de minimizar os impactos da mudança global do clima nas cidades.

Horta Comunitária Mãos de Milagres. Foto: Wagner Ramos | Prefeitura do Recife

Ecossistemas urbanos em funcionamento ajudam a limpar nosso ar e água e sustentam nosso bem-estar, e oferecem oportunidades para descanso e diversão. Eles também podem abrigar uma surpreendente quantidade de biodiversidade”, destaca a ONU, que estabeleceu a Década das Nações Unidas da Restauração de Ecossistemas – abrangendo o período de 2021 a 2030.

Foto: Hélia Scheppa | Prefeitura do Recife

O incentivo à agricultura urbana como forma de reduzir a insegurança alimentar em áreas urbanas é outra grande vantagem. Um estudo do Instituto Escolhas, de 2020, apontou o potencial de abastecer com verduras e legumes cerca de 20 milhões de pessoas por ano a partir do cultivo em 60 mil hectares na região metropolitana de São Paulo. O potencial da agricultura urbana também foi analisado em Curitiba, Recife e Rio de Janeiro pelo mesmo órgão.

Foto: Hélia Scheppa | Prefeitura do Recife

A produção e comercialização próxima ao consumidor possibilita a redução do desperdício de alimentos e das emissões de CO2, além de estimular a geração local de emprego e renda. Fortalecer a agricultura urbana ainda é um caminho para expandir as áreas verdes nas cidades, essenciais para amenizar as altas temperaturas em tempos de ondas de calor cada vez mais intensas e frequentes. Com o corredor agroecológico, a união de todos esses benefícios são ainda mais visíveis.

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