Ícone do site

Roteiro de três dias revela encantos do Cerrado brasileiro

O Cerrado é segundo maior bioma do Brasil e a savana mais biodiversa do mundo – um paraíso que precisa ser descoberto

Published 28/06/2026
cerrado brasileiro

Águas cristalinas, paisagens incríveis, cultura local e comunidade acolhedora - conheça o Cerrado brasileiro! Fotos: Natasha Olsen

No Brasil, o turismo “clássico” tem imagens bem definidas: são centenas de quilômetros de praias, cidade litorâneas com belezas naturais e atrações culturais conhecidas no mundo inteiro. Algumas pessoas lembram também das nossas florestas, que atraem turistas brasileiros e, principalmente, estrangeiros para imersões na natureza preservada. Mas, o nosso país abriga também a savana mais biodiversa do mundo. O Cerrado brasileiro ocupa uma área de mais de 2 milhões de quilômetros quadrados, com belezas que surpreendem até o turista mais exigente.

Conhecido no Brasil pela força do agronegócio, o Cerrado tem tudo para se tornar uma potência quando o assunto é turismo: belezas naturais, diversidade cultural e pessoas que amam e que querem apresentar “sua casa” para o mundo. Com o turismo vem também a preservação, já que a economia local se fortalece e mostra que o cuidado com o território tem um valor inestimável e pode gerar mais renda para as comunidades locais do que a monocultura.

Fotos: Natasha Olsen

Em apenas dois dias no Mato Grosso, pudemos conhecer melhor o bioma, que abastece de água 8 das 12 bacias hidrográficas do nosso país. Apesar do clima seco, a água brota e corre pelo Cerrado com uma força impressionante. São cachoeiras, corredeiras, rios cristalinos.

Nobres

O roteiro da viagem foi desenhado pelo Sebrae Mato Grosso, que apoia empreendedores e negócios com foco no turismo, e começou por Nobres, município que fica a menos de 150 quilômetros da capital Cuiabá. Em cerca de duas horas, saímos do cenário urbano e chegamos no Reino Encantado, uma das pousadas onde é possível flutuar em águas cristalinas observando o nascimento de um rio e dezenas de espécies de peixes.

Nascente do Rio Triste, com águas cristalinas. Foto: Natasha Olsen

Todo o equipamento necessário para a aventura está disponível no local. Com botas especiais para trilhas aquáticas, máscara de mergulho e snorkel na mão percorremos uma trilha no meio das árvores e conhecemos as nascentes do Rio Triste. Observamos a primeira de cima, vendo a água brotar no meio das rochas.

Cardume de peixes na nascente do rio Triste, em Nobres, Mato-Grosso. Foto: Natasha Olsen

A outra nascente foi descoberta de dentro da água, olhando para o chão. Flutuando ao longo de quase 1 quilômetro do rio, é possível observar mais de 35 espécies de peixes e uma água cristalina, com tons azulados que lembram os mergulhos no litoral – mas estamos no Centro Oeste do Brasil.

Flutuação em águas cristalinas do Cerrado. Foto: Natasha Olsen

A flutuação leva cerca de uma hora e, abre o apetite. Para tornar a experiência completa, o Reino encantado oferece outra atração famosa do Cerrado: a culinária local. Uma manhã inesquecível coroada por delícias como arroz com pequi e farofa de banana.

Em menos de meia hora, chegamos ao Duto do Quebó, outra atração que oferece diversão dentro da água para a família toda. Descer o rio “a bordo” de uma boia intercala momentos de contemplação com momentos mais emocionantes em que o percurso do boiacroos ganha mais velocidade com a força das águas.

Boias usadas para descer o rio em Nobres, Mato Grosso. Foto: Natasha Olsen

No meio do caminho a oportunidade de atravessar uma caverna boiando sobre as águas do rio e ver de perto centenas de morcegos. A experiência assusta no começo e encanta no final, depois que o primeiro contato com a escuridão e com os mamíferos voadores deixa de ser surpresa. Garantia de boas risadas e histórias para contar com a família e amigos.

Boiacross intercala trechos de calmaria e corredeiras mais intensas. Foto: Natasha Olsen

As duas atrações estão no município de Nobres, famoso por ser um pólo do turismo de natureza e aventura, que ficou conhecido como “Bonito do Mato Grosso” e que não deve nada para a cidade do Estado vizinho. Em uma breve pesquisa na Internet é possível encontrar diversas opções para quem quer se aventurar ou passar algum tempo relaxando nas águas cristalinas dos rios.

No Duto do Quebó, parte da aventura do boiacross é atravessar uma caverna cheia de morcegos. Foto: Natasha Olsen

Quem não quiser passar a noite por lá, pode ir e voltar, já que Nobres fica a menos de 150 quilômetros da capital Cuiabá e a viagem até a cidade turística é bastante tranquila. A comunidade de Bom Jardim concentra muitas atrações e é especialmente conhecida pelas experiências de flutuação em águas transparentes, que permitem a observação de espécies aquáticas locais em ambientes naturais preservados. Além disso, o destino oferece atividades como boia cross, trilhas, passeios de quadriciclo, tirolesa, arvorismo, mirantes panorâmicos e banhos em cachoeiras e balneários.

Mas, se a ideia é conhecer melhor os empreendimentos locais, vale a pena ir além do turismo de natureza e conhecer os queijos premiados do Pé de Queijo, negócio local apoiado pelo Sebrae Mato Grosso que vem conquistando o público e premiações internacionais com os seus produtos. Quem passa por lá é recebido pelos proprietários com café coado na hora e uma mesa farta, com diversas opções de queijos e lacticínios, todos produzidos artesanalmente com o leite colhido no local.

Edmar Trindade, fundador do Pé de Queijo, apresenta pessoalmente as delícias locais. Foto: Natasha Olsen

E, se a viagem inclui dormir e acordar em Nobres, com o canto dos pássaros e uma cantoria humana, a melhor opção é o Complexo Turístico Canaã é um atrativo localizado em Nobres, voltado ao lazer, descanso e contato com a natureza. O espaço reúne banho de rio e cachoeira, trilhas, deck à beira-rio, áreas sombreadas, piscinas aquecidas, bar, restaurante e estrutura de apoio para permanência dos visitantes. Também oferece observação de peixes, especialmente piraputangas, a partir das áreas próximas ao rio.

Sandra, proprietária orgulhosa da Pousada Canaã, apresenta os chalés em meio à natureza. Fotos: Natasha Olsen

A pousada foi fundada por Sandra e o Marido Ricardo, que trocaram a vida na fazenda pelo turismo de pois que se apaixonaram pelo lugar maravilhoso que escolheram para viver. Um paraíso que dividem com os hóspedes e que ganhou o nome de Canaã por representar uma terra sonhada pelo casal. Relembrando as noites que passava com a família e amigos na fazenda, Sandra presenteia os hóspedes com músicas gaúchas e uma voz surpreendente. Caso a ideia seja passar o dia, a pousada também tem a opção de day use.

Piscina natural na Pousada Canaã, em Nobres, Mato Grosso. Foto: Natasha Olsen

Chapada dos Guimarães

Famosa por seus paredões impressionantes de solo arenoso, a Chapada dos Guimarães também está bem próxima à capital Cuiabá, em uma viagem de cerca de uma hora e que já traz na estrada paisagens impressionantes. A primeira parada acontece antes mesmo de chegar ao pequeno município.

Cachoeira da Salgadeira, uma das muitas que o Cerrado brasileiro tem. Fotos: Natasha Olsen

Da estrada é possível acessar o Complexo da Salgadeira, na transição entre a Baixada Cuiabana e o planalto da Chapada. A cachoeira que dá nome ao local é impressionante, uma queda de água alta e abundante em que a intensidade da força do banho pode ser decidida por quem decide entrar mais ou menos na piscina natural.

Com trilhas muito acessíveis e uma estrutura muito bem equipada, o espaço reúne área de banho, trilhas, mirantes, restaurante, espaço de artesanato, Centro de Interpretação Ambiental e estruturas de apoio ao visitante.

Além das paisagens deslumbrantes, Chapada dos Guimarães tem uma ótima programação cultural ao longo do ano. Foto: Natasha Olsen

A denominação “Salgadeira” está historicamente associada aos antigos caminhos de tropeiros, que utilizavam a região para o preparo e conservação da carne por meio da salga e secagem ao sol. Hoje, o local integra o conjunto de equipamentos turísticos situados no acesso à Chapada dos Guimarães, articulando paisagem natural, memória territorial e infraestrutura de visitação.

Seguindo pela estrada que leva à Chapada dos Guimarães, uma trilha curta nos leva ao mirante da Cachoeira Véu de Noiva. São cerca de 80 metros de queda da água em paredes de pedra que se estendem pelo um relevo reto e imenso: as chapadas encantadoras. A queda é formada pelo Córrego Piedade, afluente do rio Coxipó, em um trecho marcado pelos paredões de arenito e vegetação típica do Cerrado.

Cachoeira Véu de Noiva, no Mato Grosso. Foto: Natasha Olsen

Saindo da trilha que leva à Cachoeira Véu de Noiva, um dos principais atrativos do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, é possível chegar a área onde está localizada a sede do ICMBio já que a cachoeira está próxima à sede da unidade de conservação. Um passeio curto que vale a pena pela facilidade em se chegar ao mirante e passar um tempo contemplando a paisagem do vale onde fica a cachoeira. Nas primeiras horas da manhã ou no final da tarde é possível ver casais de arara que fazem seus ninhos nos paredões de pedra e passam voando tornando o visual ainda mais maravilhoso.

E, quando o assunto é um visual maravilhoso, o céu do Mato Grosso é um espetáculo à parte no pôr do sol, quando tons de vermelho e amarelo se misturam por longas horas. Na Chapada dos Guimarães, presenciar esse show da natureza em bares e restaurantes com uma vista panorâmica para os paredões e para o vale.

Pôr do sol em Chapada dos Guimarães, Mato Grosso. Foto: Natasha Olsen

Nosso pôr do sol na Chapada foi no Mirante Alto do Céu é um atrativo de contemplação com vista panorâmica para formações da Chapada, vales e áreas da Baixada Cuiabana, permitindo observar a transição entre o planalto e a planície em um dos pontos de maior amplitude visual da região. Além do cenário, drinks autorais e música ambiente completam o momento, ideal para celebrar a vida.

Cidade de Pedra

Amanhecer no silencio das Chapadas dos Guimarães é um convite para explorar a paisagem e conhecer melhor a natureza do Cerrado Brasileiro. Poucas trilhas transportam o turista para dentro do bioma como a que leva à Cidade de Pedra, um dos atrativos famosos no Parque Nacional da Chapada dos Guimarães.

Viagem pelo Cerrado: pôr do sol para fechar o dia e trilha para começar. Fotos: Natasha Olsen

Cenário de gravações de novelas e vídeo clipes, a Cidade de Pedra recebeu esse nome por causa de suas formações rochosas de arenito esculpidas ao longo do tempo pela ação da água, do vento e de outros processos naturais. O conjunto forma paredões, torres e estruturas naturais que remetem a uma “cidade” de pedra, compondo uma das paisagens mais representativas da geodiversidade da Chapada.

Logo no início da trilha, que precisa ser acompanhada por guias, é tradição passar por um portal e, ao final da trilha, passar “de volta” pelo espaço aberto entre rochas garante que ficam para trás energias e emoções negativas.

Com diversas espécies de plantas, muitas medicinais, o Cerrado brasileiro é a savana mais biodiversa do mundo. Fotos: Natasha Olsen

Ter guias acompanhando a guia garante aos visitantes verdadeiras aulas sobre a geografia, fauna e flora locais, além de curiosidades como a tradição de atravessar o portal. Entre as descobertas, as guias explicam quais são as plantas que o turista encontra pelo caminho, muitas delas com propriedades medicinais como a canela de velho.

Guias locais também sabem indicar o melhor local para quem quiser gritar para o vale e receber um eco de volta que repete sua mensagem algumas vezes, com clareza e altura incríveis.

Cidade de Pedra, uma das atrações de Chapadas dos Guimarães. Foto: Natasha Olsen

Além da beleza da paisagem, a Cidade de Pedra possui relevância geológica e ambiental, permitindo observar a relação entre relevo, vegetação de Cerrado e processos erosivos que moldaram a região. A visitação contribui para a compreensão do território da Chapada dos Guimarães como área de interesse científico, turístico e de conservação, especialmente por estar inserida em uma unidade de conservação federal.

Assim que puder, conheça de perto esse paraíso brasileiro. Sua visita vai fazer a diferença –  para você e para as pessoas que vivem por lá!

Trilhas por paisagens deslumbrantes te esperam no Cerrado brasileiro. Foto: Natasha Olsen

Para saber mais sobre as belezas e atrações do Cerrado, acesse turistando.mt.sebrae.com.br e siga os perfis abaixo no Instagram:

* Natasha Olsen, editora do CicloVivo, viajou ao Mato Grosso a convite do Sebrae Mato Grosso.

Natasha Olsen, editora do CicloVivo, conhecendo a Cachoeira Véu de Noiva. Fotos: Natasha Olsen

 

Sair da versão mobile