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Belém será “momento de virada” para pessoas marginalizadas, diz presidente da COP

Em nova carta, Corrêa do Lago defende que conferência seja voltada para a justiça climática e que soluções devem se conectar à “vida real” das pessoas

Published 12/08/2025
presidente da COP30

André Corrêa do Lago, Presidente da COP. | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom | Agência Brasil

O embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30 (30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas), afirmou que o evento a ser realizado em Belém será um “momento de virada” para pessoas historicamente marginalizadas e em situação de vulnerabilidade. Em nova carta da Presidência divulgada nesta terça-feira (12), Corrêa do Lago reforçou a ideia de que a conferência deve ser voltada para a justiça climática.

“A todos aquelas pessoas historicamente marginalizadas, deslocadas ou silenciadas, a COP30 deve ser o momento da virada para que sejam reconhecidas tanto como atores essenciais quanto como detentores de direitos na resposta climática global”, disse o presidente no texto.

Na carta, o embaixador declarou que a ação climática não é apenas uma questão científica ou técnica, mas um “desafio humano”. Segundo ele, a COP30 representa a hora de enfrentar o aquecimento global colocando as pessoas no centro da resposta. Ele explica que mitigação, adaptação e financiamento voltado para a temática das mudanças climáticas implicam também no enfrentamento às desigualdades estruturais, no fim da fome e no combate à pobreza, na tentativa de promover o desenvolvimento sustentável e a igualdade, inclusive, racial e de gênero.

“À medida que os efeitos adversos da mudança do clima afetam cada vez mais indivíduos e comunidades ao redor do mundo, sabemos que os impactos são sentidos de maneira mais aguda por aqueles já em situação de vulnerabilidade, seja por fatores geográficos, pobreza, gênero, idade, raça, etnia, pertencimento a povos indígenas ou a minorias, nacionalidade ou origem social, nascimento ou deficiência”, afirmou.

Assim como o IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) defende a ideia de que, sem os povos tradicionais da floresta, não há Amazônia de pé, Corrêa do Lago declarou que o papel das pessoas – em especial, as em situação de vulnerabilidade e com maior potencial de serem afetadas pelas alterações no clima – não devem ser apenas “vítimas passivas”, mas “líderes vivos” da resiliência e da regeneração.

Corrêa do Lago é secretário de clima, energia e meio ambiente do Ministério das Relações Exteriores. Foto: MMA

De acordo com o embaixador, essas pessoas devem ser vistas não como um legado do passado, mas como um exemplo de que é possível ter relações harmônicas com a natureza para um futuro comum. A carta diz ainda que trazer a COP30 ao coração da Amazônia significa dar espaço aos vulneráveis como líderes genuínos e que estes devem ocupar o centro da tomada de decisão global.

Como forma de convidar a comunidade internacional para trazer com que a figura dos seres humanos tenha papel central na conferência, o presidente da COP30 citou quatro medidas:

O embaixador reforçou que proteger as pessoas em um contexto climático interage com desafios geopolíticos e socioeconômicos. Por esse motivo, a Presidência da COP30 deve se nortear por três prioridades: o multilateralismo sob a convenção, a conexão entre o regime climático e a vida real das pessoas e acelerar a implementação do Acordo de Paris, com ações e ajustes em todas as instituições que possam contribuir para esse objetivo.

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