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Amazônia em risco com expansão da infraestrutura de transportes

Estudo aponta a necessidade urgente de critérios socioambientais no planejamento da infraestrutura na região

Published 08/09/2025
desmatamento na Amazônia Legal

Desmatamento na Amazônia Legal. Foto: IBAMA

O Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA) divulgou um levantamento inédito a partir do Mapa Interativo das Infraestruturas de Transporte, que reúne dados sobre obras em andamento no Brasil e projetos do PPI (Programa de Parcerias de Investimentos) e do PPA (Plano Plurianual 2024–2027), com foco na Amazônia Legal. O estudo revela a dimensão da expansão de rodovias, hidrovias e ferrovias na região em um momento crucial: no segundo semestre, Belém (PA) sediará a COP 30, conferência global sobre clima. O debate climático no Brasil, portanto, precisa incluir o impacto da infraestrutura de transporte, historicamente um dos principais vetores de desmatamento.

Segundo o levantamento, a malha ferroviária cresce com quatro rotas em estudo ou processo de concessão, duas em construção e 13 já autorizadas para execução com recursos privados. Entre os destaques estão o Corredor Leste-Oeste, a Ferrogrão, que liga Sinop (MT) a Miritituba (PA), e a Transnordestina, conectando Pernambuco, Ceará e Piauí. Parte do orçamento público, no entanto, cobre apenas etapas como planejamento, supervisão e desapropriações, enquanto a execução completa depende de recursos privados.

Foto: FAS

Nas hidrovias, os projetos se concentram nos rios Madeira, Tocantins e Tapajós, com estudos de concessão, monitoramento, sinalização e obras de dragagem e derrocagem. Já na malha rodoviária, que concentra o maior número de intervenções, há concessões em andamento, estudos para novas licitações e dezenas de trechos em obras de pavimentação, duplicação ou recuperação. O PAC prevê investimentos em diversas rodovias federais, enquanto o PPI destaca a Rota Agro, formada pelas BR-364, BR-070 e BR-174, e a BR-158/155, que corta o Brasil de norte a sul. O PPA, por sua vez, lista 24 rodovias em obras, mas parte do orçamento vai direto ao DNIT sem detalhamento, o que pode indicar um número ainda maior de projetos.

Essas obras, no entanto, não podem ser analisadas isoladamente. Rodovias, ferrovias e hidrovias formam corredores logísticos voltados sobretudo ao escoamento de commodities para exportação. A implantação de um modal estimula os demais, ampliando impactos sobre a floresta, os rios e as populações locais. Sem planejamento consistente, com critérios socioambientais claros, esses corredores podem intensificar conflitos fundiários, pressionar territórios indígenas e comunidades tradicionais, alterar ecossistemas sensíveis e reforçar desigualdades sociais. “Mais do que discutir obras específicas, é essencial olhar para o conjunto de intervenções previstas e compreender como cada decisão se conecta em uma rede de efeitos sobre a Amazônia”, afirma Raissa Gomes, pesquisadora do IEMA.

O governo federal elabora neste momento o Plano Nacional de Logística (PNL 2050), que orientará os investimentos em transporte pelos próximos 25 anos. A iniciativa é vista como uma oportunidade de alinhar a infraestrutura às necessidades reais do país, assegurando eficiência logística e, ao mesmo tempo, protegendo a floresta, promovendo justiça climática e reduzindo riscos socioambientais.

O Mapa Interativo das Infraestruturas de Transporte, ferramenta criada pelo IEMA, organiza dados oficiais do PAC, PPI, PPA 2024–2027 e da ANTT, permitindo que pesquisadores, gestores públicos, jornalistas e a sociedade civil acompanhem, de forma acessível, as obras em execução e as previstas para a Amazônia Legal.

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