O arquiteto californiano Nick Polansky utilizou um deck de sequoia para revestir uma barcaça e cobriu a estrutura com contêineres de transporte reciclados, criando a sauna flutuante Fjord, localizada na Baía de São Francisco, nos Estados Unidos.
A Fjord é uma sauna simples, orientada pelos princípios da reutilização e do engajamento — tanto entre os usuários e o ambiente quanto entre a estrutura e a infraestrutura da orla — segundo seus idealizadores, Alex Yenni e Gabe Turner. Vindos das áreas de tecnologia e marketing, eles contrataram Polansky para concretizar o conceito, instalado recentemente em uma marina na cidade de Sausalito, do outro lado do Estreito de Golden Gate, em frente a São Francisco.
“O fiorde é uma carta de amor à baía e suas possibilidades”, afirmou Polansky. “Queríamos que cada detalhe homenageasse o meio ambiente e inspirasse novas maneiras de se conectar com a água.”
Com 60 metros quadrados, a embarcação tem um formato relativamente simples. Polansky reaproveitou uma barcaça de quebra-mar desativada e a ancorou à borda do cais, permitindo o acesso dos visitantes por meio de uma rampa.
Construiram um deck de sequoia sobre a barcaça, e dois contêineres de transporte reutilizados foram fixados em lados opostos da estrutura. Entre as duas saunas no estilo finlandês, uma passarela permite que os visitantes circulem livremente para acessá-las. Vigas e ripas de sequoia compõem áreas externas semicobertas ao redor da sauna, que servem para preparação, uso dos chuveiros e descanso.
Cada sauna tem fachada de vidro voltada para a baía, reforçando a intenção de conectar os visitantes com os elementos naturais. O interior foi revestido com madeira Thermory Aspen. Os sistemas de aquecimento, fornecidos pela Homecraft Saunas, da Colúmbia Britânica, funcionam com eletricidade e aquecem pedras que podem ser molhadas para gerar vapor. Dois dutos de ventilação fazem a filtragem do ar.
Escadas foram instaladas em dois lados da embarcação, permitindo que os visitantes mergulhem na água dentro de uma área isolada.
“Sausalito tem um espírito diferente de qualquer outro: criativo, independente e profundamente ligado à água”, destacou Yenni. “Queremos que o Fjord pareça pertencer a este lugar, que se torne um espaço do qual os moradores locais tenham orgulho e que os visitantes procurem.”
A equipe enfrentou um processo rigoroso de habilitação para instalar a sauna flutuante. Mais de sete agências locais e federais foram consultadas e a aprovação final coube à Comissão de Desenvolvimento de Conservação da Baía (BCDC). O projeto precisava ter impacto ambiental mínimo e, ao mesmo tempo, oferecer benefícios públicos tangíveis.
“Nossa posição era que, para as pessoas quererem proteger a baía, elas precisam primeiro se conectar com ela física e emocionalmente. Precisam que ela desempenhe um papel ativo em suas vidas. Precisam valorizá-la”, explicou Yenni, observando que os jovens têm visitado cada vez menos a região.
“Embora eu tenha certeza de que não fomos os primeiros a pensar em fazer algo assim na água, acredito que fomos os mais comprometidos com o processo de concessão de direitos, com a saúde ambiental da baía e com a oferta de um bem social mensurável ao público.”

