Especialistas das Nações Unidas destacaram que os afrodescendentes e africanos serão alguns dos grupos mais afetados pelas mudanças climáticas. Apesar da situação de vulnerabilidade dessas populações, sua presença em processos decisórios, como a Conferência do Clima de Paris, é pouco expressiva.

Para o Grupo de Trabalho da ONU sobre Pessoas Afrodescendentes, embora tenha havido avanços no combate ao racismo e à discriminação racial, “os afrodescendentes estão frequentemente entre os grupos mais pobres e marginalizados nas sociedades, muitas vezes vivendo em comunidades desproporcionalmente afetadas por décadas de degradação ambiental, como a poluição do ar e resíduos tóxicos”.

De acordo com a presidente do Grupo, Mireille Fanon Mendes-France, os afrodescendentes vão suportar um fardo ainda maior no futuro, por conta das transformações do clima. “Dado a isso, discussões sobre mudanças climáticas devem ser enquadradas tendo em vista as desigualdades ambientais e devem levar em consideração os afrodescendentes e africanos que vivem em todas as regiões do mundo, muitos dos quais permanecem aprisionados numa invisibilidade estrutural e institucional”.

População afrodescendente no Brasil

Enquanto a Inglaterra abolia a escravidão – uma forma de ter o controle informal da África – e pressionava Portugal para encerrar seu comércio, o Brasil recebia mais africanos. Apenas no século 19, o Rio de Janeiro recebeu cerca de 1 milhão de africanos que desembarcavam no Cais do Valongo, o maior porto de escravos e Patrimônio da Humanidade pela UNESCO.

Esse fluxo de africanos fez do Brasil o país com a segunda maior população de negros do mundo, atrás apenas da Nigéria. Ainda hoje, esses 54% da população que se identificam como afrodescendentes experimentam um cenário de exclusão em diferentes aspectos da sociedade brasileira.

A Década Internacional de Afrodescendentes (2015-2024), criada pelas Nações Unidas, chama atenção para a situação dessa população.

Existem aproximadamente 200 milhões de pessoas vivendo nas Américas que se identificam como afrodescendentes. Muitos mais vivem em outros lugares do mundo, fora do continente africano.

Seja como descendentes das vítimas do tráfico de escravos ou como migrantes, mais recentemente, estas pessoas constituem alguns dos grupos mais pobres e marginalizados com acesso limitado à educação de qualidade, serviços de saúde, moradia e segurança.