Se você acha que está muito ocupado, pense nas abelhas do mundo. Elas, junto a outros insetos e animais, são responsáveis pela polinização de mais de 75% das principais culturas alimentares do planeta.

No Dia Mundial das Abelhas, celebrado neste dia 20 de maio, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) alerta que polinizadores estão sob ameaça e seu volume está caindo por conta das atividades humanas. Veja aqui: Apicultores brasileiros encontram meio bilhão de abelhas mortas em três meses.

Segundo a FAO, estamos possivelmente perdendo algumas espécies para sempre, com base em dados disponíveis nos Estados Unidos e na Europa. “É realmente uma junção de fatores basicamente acontecendo ao mesmo tempo, todos eles impulsionados pela atividade humana”, disse Abram Bicksler, oficial de agricultura da FAO.

“A mudança climática é um fator, a perda de habitat é outro, o uso excessivo de pesticidas também, mas ainda há muitas doenças e pestes que estão afetando nossos polinizadores. Então, sim, quando tudo isso se junta, polinizadores estão enfrentando um momento difícil”, completa.

O tamanho do problema

De acordo com a FAO, os polinizadores mais populares são as abelhas, com 25 mil a 30 mil espécies.

Abelhas selvagens são polinizadores mais produtivos que espécies domésticas, à medida que possuem mais pelos para que partículas de pólen fiquem agarradas.

Sem abelhas e outros polinizadores – borboletas, beija-flores, morcegos e até mesmo macacos, entre outros – a FAO afirma que não teríamos café, maçãs, amêndoas, tomates e cacau, entre muitas outras frutas e culturas produtoras de sementes.

“O Dia Mundial das Abelhas é uma oportunidade de reconhecer o papel das abelhas e de outros polinizadores no aumento da segurança alimentar, na melhoria da nutrição e na luta contra a fome”, disse o diretor-geral da FAO, o brasileiro José Graziano da Silva.

Como podemos mudar essa realidade?

Em pedido para o público ajudar a combater a ameaça às abelhas e outros polinizadores — ameaça apresentada por insetos invasivos, pesticidas, mudanças no uso do solo e práticas de monocultura que podem reduzir nutrientes disponíveis para colônias de abelhas –, a FAO recomendou a plantação de uma série de flores amigáveis. Veja aqui: Bairro em Londres vai criar 11km de corredor de flores para abelhas.

A agência da ONU também encorajou as pessoas a criarem seus próprios “hotéis de insetos” – um tronco oco ou galho de árvore, por exemplo – que são abrigos ideais para insetos polinizadores. Sobre esta questão, confira o projeto Abelhas Sem Ferrão.

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