Entre 1965 e 2017, 20 companhias de petróleo, gás e carvão se destacaram como maiores emissoras de gases do efeito estufa em todo o mundo. O ranking, produzido pelo Climate Accountability Institute, coloca a Petrobras na 20ª colocação.

Não é de hoje que o pesquisador Richard Heede contabiliza as emissões poluentes. Em seu estudo, o cofundador do Climate Accountability, já havia mostrado que quase dois terços do dióxido de carbono emitido desde a década de 1750 até 2010 podem ser atribuídos aos 90 maiores produtores de combustíveis fósseis e cimento. Destas, 50 são empresas de propriedade de investidores – como Chevron, Peabody, Shell e BHP Billiton -, e as demais são empresas estatais ou administradas pelo governo.

A pesquisa também classificou as 90 entidades de acordo com o tipo de combustível fóssil extraído e comercializado. Existem 56 empresas de petróleo e gás natural e 37 produtores de carvão. Além disso, estão incluídas as emissões de CO2 de sete fabricantes de cimento.

Das 20 empresas petrolíferas, a líder é a Saudi Aramco, da Arábia Saudita, responsável por quase 5% das emissões entre 1965 e 2017. Em segundo lugar aparece a norte-americana Chevron e em terceiro a Gazprom da Rússia. A partir do sexto lugar começam a surgir companhias europeias. Confira no ranking abaixo.

O relatório dos maiores poluentes aponta que os resultados podem ter aplicações políticas práticas, uma vez que a convenção climática das Nações Unidas “se concentra na responsabilidade em nível nacional”. Por meio deste estudo é possível “examinar a política climática global, pois oferece a primeira contabilidade abrangente das emissões históricas dos produtores, incluindo muitas instituições multinacionais”.

Para onde vai o dinheiro dos investidores?

Assim como foi destacado que as maiores empresas poluentes são de propriedade de investidores, outro estudo recente da multinacional Schroders revelou que no mundo do mercado financeiro existe uma lacuna entre intenção e ação. Realizada com mais de 25 mil investidores de 32 países, a pesquisa aponta que 32% relatam que estão interessados e gostariam de investir em sustentabilidade, mas somente 16% o fazem.

Além disso, a pesquisa concluiu que a probabilidade de investir de maneira sustentável é maior entre os que entendem mais do mercado. Talvez por isso haja uma diferença também etária: Dos investidores da geração X (38-50 anos), 61% disseram sempre considerar fatores de sustentabilidade ao selecionar um produto de investimento, em comparação com 59% dos millennials (18-37 anos). Ou seja, conhecidos como mais atentos a causas ambientais, os millennials ficaram para trás.

O CEO da Schroders Brasil, Daniel Celano, questiona a contrariedade das motivações financeiras serem mais importantes do que os fatores sustentáveis. “Na verdade, as preocupações de não perder dinheiro e atender às expectativas de retorno não são fatores independentes quando se fala de investimento sustentável. O investimento sustentável tem um fator intrínseco de mitigação de risco, que já atenderia à prioridade de ‘não perder dinheiro’ sinalizada pelos investidores. Por isso, investimento que considera a sustentabilidade das empresas está, de fato, em plena concordância com os objetivos de retorno e os investidores deveriam reconhecer essa vantagem”.

Confira o estudo sobre investidores globais 2019 na íntegra.

Foto capa: Geraldo Falcão | Agência Petrobras