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Mulheres quilombolas participam do projeto Cozinha&Voz

Com apoio da chef Paola Carosella, projeto oferece oficinas de cozinha, poesia e literatura e já formou quase 500 pessoas no Brasil

projeto Cozinha&Voz
Participante de oficina do projeto Cozinha&Voz. Foto: OIT
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Depois de passar por Boa Vista, Brasília, Campo Grande, Goiânia, Porto Velho, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Vitória, o projeto Cozinha&Voz chega ao Recôncavo Baiano. Em Maragogipe, 24 mulheres quilombolas vão receber capacitação profissional para se tornarem auxiliar de cozinha, com curso coordenado pela chef Paola Carosella.

Estas mulheres vão se somar às 494 pessoas formadas durante os 4 anos do projeto, que ajuda a inserir no mercado de trabalho pessoas em situação de vulnerabilidade, por meio de capacitação técnica e desenvolvimento de habilidades de comunicação – sinergia que deu origem ao nome Cozinha&Voz.

Mulheres participam de oficina de poesia e literatura em Maragogipe. Foto: OIT

O projeto está estruturado em dois pilares. O componente “cozinha” conta com a coordenação técnica da chef Paola Carosella e tem como foco as aptidões básicas para o trabalho em uma cozinha profissional ou para uma ação de empreendedorismo, valorizando sempre a cultura local e ingredientes nativos.

Paola Carosella com participante de uma das primeiras oficinas do projeto. Foto: OIT
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A parte da “voz” é coordenada pelas atrizes e poetas Elisa Lucinda e Geovana Pires, da Casa Poema, que oferecem oficinas de poesia e literatura para que alunas e alunos desenvolvam e aperfeiçoem habilidades suas habilidades emocionais e de comunicação, também muito importantes para um bom posicionamento profissional e social.

Cozinha&Voz em Maragogipe

O Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC), a Associação Edson dos Santos e o grupo de marisqueiras do quilombo do Dendê se uniram para a realização do projeto em Maragogipe.

O projeto atende quilombolas, mulheres em situação de violência, indígenas e outros grupos vulneráveis e é realizado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). Foto: OIT

A iniciativa surgiu de uma demanda do Projeto Àwúre, uma ação multissetorial de abrangência nacional da OIT, do MPT e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), com foco em populações tradicionais e periféricas.

Maragogipe abriga tradições religiosas do catolicismo e do candomblé e uma população formada por moradores de comunidades tradicionais de religiões de matriz africana, quilombolas, ribeirinhas, marisqueiras e trabalhadores(as) de manufatura de carne de fumeiro e suas famílias.

Na cidade, a culinária tradicional local é uma grande fonte de renda para as famílias. Por isso, as pessoas que participam do Cozinha&Voz são quilombolas que trabalham fundamentalmente como marisqueiras, que podem e querem empreender ou melhorar seus negócios com sustentabilidade e inclusão produtiva.

Foto: OIT

“Esta edição enfocou na capacitação de mulheres quilombolas de Maragogipe e entorno, atendendo a uma demanda da própria comunidade, que está engajada em fortalecer os quilombos locais. Realizar esse curso, no momento de reconstrução da crise acarretada pela pandemia, tem sido motivo de esperança e possibilidade de novos recomeços na região”, disse Diego Calixto, oficial nacional de projeto da OIT.

Oriundas de nove quilombos da região (Dendê, Angolá, Giral Grande, Quizanga, Baixão do Guaí, Porto da pedra, Mutanba, Pijuru e Capanema), cada participante receberá uma bolsa de estudos no valor de R$500,00, para garantir que possam se dedicar ao processo de aprendizagem, já que renunciarão a algumas horas do trabalho regular.

Conversa durante as primeiras oficinas do projeto, realizadas entre 2017 e 2019. Foto: OIT

Paola Carosella, além das atividades regulares, ela fará uma reunião com as 24 alunas, no quilombo do Dendê, para discutir possibilidades de projetos como resultado do processo do curso. Esta atividade presencial será fundamental para que ela escute a comunidade e aprenda sobre sua história e tradições, garantindo assim que o curso seja um componente de fortalecimento da memória, respeite e fortaleça a cultura local.

“Onde eu moro, não tem essas oportunidades. Por meio desse curso, quem sabe eu consigo uma vaga de emprego um dia. Além de fortalecer o que a gente já sabe, vamos aprender mais, ganhar mais experiência”, disse Beatriz Oliveira De Jesus, 22 anos, que trabalha como marisqueira no quilombo Porto da Pedra.

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