Maior expoente da agroecologia. Mãe da agroecologia brasileira. Elogios não faltam à Ana Maria Primavesi, mulher que revolucionou a agricultura ecológica. Nascida em 1920 na Áustria, ela migrou para o Brasil em 1950, após sobreviver a um campo de concentração durante a Segunda Guerra Mundial. Não à toa, hoje com seus 98 anos, pode ser chamada de símbolo de resistência.

Formada em engenharia agronômica, Ana já publicou 94 artigos científicos no Brasil e no mundo, escreveu 11 livros e colaborou em inúmeras outras publicações. Também já realizou palestras e cursos em diversas partes. Suas pesquisas em ciências do solo deram origem ao seu livro mais conhecido “Manejo Ecológico do Solo”, obra de referência nas ciências agrárias.

A publicação é focada na importância de restabelecer o equilíbrio entre o homem, a natureza e os animais. Ana foi a primeira mulher a afirmar que o solo tem vida, uma ideia que, com o aprofundamento do livro, revolucionou a agricultura ecológica na América Latina.

Logicamente, num meio exclusivamente masculino, foi bastante contestada. Mas suas pesquisas foram apontando para uma agricultura que privilegiasse a atividade biológica do solo, substituindo o uso de químicos por técnicas como adubação verde e controle biológico de “pragas”. É incrível imaginar seu pioneirismo, em tempos em que se aprova um novo agrotóxico por dia no Brasil.  

Ana também atuou como professora, foi uma das fundadoras de importantes organizações, como a AAO (Associação de Agricultura Orgânica), estabelecido em São Paulo, e do MAELA (Movimiento Agroecológico Latinoamericano) e já recebeu inúmeros prêmios. Ainda assim, é pouco conhecida fora do mundo da sustentabilidade. Por isso, hoje queremos homenagear, lembrar sua história e dizer um muito obrigada à esta incrível mulher. Saudemos os que estão vivos e resistindo.

Foto: Luiz Prado/Ana Maria Primavesi/Divulgação