De conferências globais até o noticiário do cotidiano a pauta ambiental está sempre presente. Em meio à crise que vivemos, tornar o desenvolvimento sustentável é uma realidade necessária. Em contramão deste fluxo, segundo um estudo da WWF apresentado em 2019, o Brasil foi apontado como o quarto país que mais produz lixo plástico no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, China e Índia. De acordo com a Selurb (Sindicato das Empresas de Limpeza Urbana), só em plásticos o Brasil deixa de ganhar 5,6 bilhões de reais por ano: riqueza enterrada indevidamente em aterros sanitários.

A cidade de São Paulo, dada sua devida importância no cenário nacional – maior e mais populosa cidade do país – produz em média 1,3 kg por pessoa, segundo um levantamento do Instituto Lixo Zero Brasil (ILZB), e aproveita somente 7% dos resíduos encaminhados para a reciclagem segundo a própria AMLURB.

A responsabilidade é do poder público, mas também de todos os cidadãos, por isso o tema “Um por todos e todos por zero”. “É por meio de conversas e mobilizações por nicho que podemos estimular os acordos setoriais necessários para regulamentar a PNRS. Este ano temos um recorde, com a participação de 100 cidades. Consideramos um ótimo sinal a mobilização crescente. Estamos acordando para as 78,3 milhões de toneladas de resíduos sólidos que o país gera por ano, afirma Rodrigo Sabatini, presidente do ILZB.

Semana Lixo Zero

Durante dez dias, de 18 a 27 de outubro, a Semana Lixo Zero oferece palestras, painéis, rodas de conversas, apresentação de cases, exibição de filmes, oficinas e mutirões, tratando do tema resíduos sólidos ligado aos mais diversos setores da economia. Espalhados pela cidade, acontecerão eventos como: Arquitetura e construção civil lixo zero (na Escola da Cidade), Greenwashing e padrão de consumo (apresentado pelo Instituto

Brasileiro de Defesa do Consumidor – IDEC), varejo e indústria lixo zero (na Vila da Terra), eventos lixo zero, resíduos na moda, grandes geradores e logística reversa (promovido em parceria com a Felsberg advogados), escolas lixo zero, entre outros. Haverá ainda eventos que abordam políticas públicas: a apresentação do CTRE (Controle de Transporte de Resíduos) pela Amlurb (Autoridade Municipal de Limpeza Urbana), tema que gerou polêmica entre os comerciantes paulistanos em 2019; e o lançamento do manifesto liderado pela Aliança Resíduo Zero Brasil e o Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis, seguido por debates sobre o processo de incineração.

Promovida pelo ILZB, organização sem fins lucrativos, que tem como objetivo difundir o conceito lixo zero no País, a Casa Causa e a ABRAPS (Associação Brasileira dos Profissionais pelo Desenvolvimento Sustentável), São Paulo se junta a outras 99 cidades brasileiras, dando espaço para divulgação das melhores práticas e tecnologias em gestão de resíduos.

“Será a maior mobilização de especialistas em gestão de resíduos já vista na cidade, empresas e cidadãos buscando impactar positivamente a gestão de resíduos e fazer São Paulo caminhar na direção da Economia Circular”, pontua Flávia Cunha, sócia da Casa Causa e Embaixadora do Instituto Lixo Zero em São Paulo.

A programação completa para São Paulo em: semanalixozero.com.br e no facebook.com/lixozerosaopaulo

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Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.