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Bairro adota tetos claros e quintais maiores para evitar ilhas de calor

Subúrbio de Wilton, na Austrália, já experimentou temperaturas acima de 50°C no verão e criou plano para mitigar calor extremo

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Foto: Reprodução
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Quem vive no bairro de Wilton, em Sydney, Austrália, vai precisar se adaptar a novas regras:  os telhados escuros serão proibidos e os quintais serão expandidos em todas as novas casas construídas. As medidas foram criadas para ajudar a reduzir as temperaturas na cidade.

O telhado cinza ardósia é típico de muitas construções residenciais australianas, mas o governo de New South Wales estabeleceu que novas alternativas mais leves e reflexivas sejam adotadas para ajudar no resfriamento das construções.

As árvores também fazem parte do Plano de Controle de Desenvolvimento de Wilton para o bairro e para que as pessoas possam plantar uma árvore no quintal, os lotes residenciais devem ser grandes e a área sem construções deve ser maior em novos projetos.

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Junto com os telhados frios, o plantio de árvores é uma ação eficiente para combater ilhas de calor urbanas, elevam consideravelmente as temperaturas nas cidades. As áreas urbanas com infraestrutura densa e escura tendem a mais ilhas de calor, já que esta configuração absorva a luz e do sol ao invés de refleti-la. 

Em entrevista ao jornal australiano Sydney Morning Herald, o o ministro do planejamento e espaços públicos, Rob Stokes disse que a região oeste de Sydney, onde está localizado o bairro de Wilton, já experimenta temperaturas escaldantes de mais de 50 graus no verão.

“A necessidade de se adaptar e mitigar o calor urbano não é um desafio futuro – já está conosco.”

Rob Stokes, ministro do planejamento e espaços públicos
Ayers Rock em Uluru, deserto da Austrália. | Foto: iStock

Aquecimento acelerado na Austrália

Segundo o último relatório climático do IPCC, desde a revolução industrial, as temperaturas médias na Austrália já aumentaram 1,4°C devido às mudanças climáticas provocadas pelo homem.

O país está aquecendo mais rápido do que as temperaturas médias globais e já se aproxima do limite crítico de 1,5 grau estabelecido no Acordo de Paris sobre o Clima. Com as ilhas de calor urbanas,  isso é sentido de forma mais intensa em cidades como Sydney. 

Com Wilton e outras áreas no oeste da cidade registrando temperaturas acima de 50°C no verão, especialistas acreditam que poderia ser impossível de viver nestes locais, em questão de décadas.

Casas resilientes ao clima

Pesquisadores usam câmera infravermelha para mostrar efeito de uma tinta especial que refrigera superfícies. Foto: Purdue University | Jared Pike

Para reverter este quadro, o Plano de Controle de Desenvolvimento de Wilton inclui mais de 9 mil casas resilientes ao clima para os próximos anos. Estas casas não poderão ter telhados escuros, pois retêm o calor e aumentam a necessidade para ar condicionado e emissões de carbono associadas.

“As previsões indicam que que vamos ter outras 400 mil pessoas na área até 2030. Se recebermos estas pessoas em casas com telhados pretos, estaremos apenas construindo um forno para as famílias. Precisamos nos afastar dele”, disse Sebastian Pfautsch, professor associado de ciência do ecossistema urbano na Western Sydney University.

Por isso, os telhados serão pintados com tinta reflexiva que, segundo Pfautsch, pode reduzir a temperatura da superfície de um prédio em até 40 graus.

Aplicados em escala, os estudos mostraram que telhados frios podem reduzir a intensidade do efeito da ilha de calor urbana em 23% e reduzir as temperaturas máximas durante uma onda de calor em 2°C ou mais.

Árvores e mais árvores

Além do resfriamento dos telhados, as medidas para combater a formação de ilhas de calor incluem uma árvore adulta nos lotes residenciais de 15 por 18 metros no quintal da frente e traseiro, de acordo com o Plano de Controle de Desenvolvimento Wilton.

As árvores irão formar um corredor verde, aumentando a ventilação, absorvendo dióxido de carbono da atmosfera e melhorando a biodiversidade local.

Com uma estratégia semelhante, Medellín, a segunda maior cidade da Colômbia, reduziu as temperaturas médias na área em 2°C desde 2016.

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