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Startup usa plástico reciclado para construir casas

Projeto desenvolvido em parceria com a ONU Habitat usa 8 toneladas de plástico para construir módulos habitacionais de 16m²
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4 de dezembro de 2020

O arquiteto Julien de Smedt está trabalhando com a startup norueguesa Othalo em um projeto de casas modulares que irão reaproveitar plástico reciclado em sua construção.

Criadas pela startup em parceria com a ONU Habitat – programa das Nações Unidas para o desenvolvimento sustentável de habitações urbanas – as casas são projetadas para se tornarem uma alternativa de baixo custo para a região da África subsaariana.

Usando um sistema patenteado em que a estrutura principal de cada casa é fabricado com plástico reciclado, uma residência de 16 metros quadrados projetada pela Othalo usa aproximadamente 8 toneladas de plástico na sua fabricação.

As casa de baixo custo vão ser fabricadas com plástico reciclado. Foto: Othalo

“A patente tem uma divisórias estruturais, e uma estrutura para suporte e isolamento”, explica o fundador da Othalo, Frank Cato Laht.

“Estas duas estruturas podem ser feitas 100% com plástico reciclado”.

Frank Cato Laht, fundador da Othalo.

De Smedt e a startup começaram o projeto com foco em construções habitacionais na região da África subsaariana. A ideia é que sejam casas modulares que aproveitem o resíduo plástico coletado em locais próximos à construção, sem especificar exatamente o tipo de plástico que deve ser usado.

“Acreditamos que esta é uma maneira de lidar com a escassez de materiais de construção nestas áreas do planeta onde a demanda por habitação é urgente”, afirma o arquiteto.

“Assim como as cidades têm em suas construções madeira, concreto e aço, é possível incorporar o uso do plástico, desde que isso seja feito de uma maneira segura e sustentável.”

Julien de Smedt
As construções incluem áreas cobertas e terraços. Foto: Othalo

Segundo Julien, o projeto vai envolver a participação de diferentes colaboradores em cada região onde as casas forem construídas para garantir que novos elementos sejam somados e que a identidade local seja respeitada.

Para o desenho original, o arquiteto se inspirou em centros urbanos que estão crescendo rápido como a cidade de Nairóbi, capital do Quênia.

“Começamos analisando o tipo de casa em que as pessoas vivem, o tipo de trabalho que elas têm e como as moradias são organizadas”, explica Julien. “Olhamos para as vizinhanças e como elas são formadas, mas também na maneira como as pessoas se relacionam nestas comunidades”.

Todas as casas vão ser construídas no local definitivo. Foto: Othalo

Os primeiros desenho têm alguns espaços cobertos conectados, como lounges e terraços que oferecem uma variedade de ambientes externos para os moradores.

“Parte desta ideia vem do clima que favorece a vida ao ar livre, mas que pede proteção do sol e ventilação”, conta o arquiteto.

Othalo planeja começar a construção das casas de plástico reciclado em larga escala no início de 2022 e acredita que esta iniciativa vai reaproveitar milhões de toneladas de resíduos plástico como matéria prima.

Mais de nove bilhões de toneladas de plástico foram produzidas no mundo desde 1950. Foto: Othalo

“Com o plástico disponível hoje, poderíamos construir um bilhão de casas”.

“Considerando a enorme quantidade de resíduo plástico no mundo, esta pode perfeitamente ser uma ótima fonte de matéria prima”, garante Frank Cato Laht.

Novas construções

Além de projetos habitacionais, é possível desenvolver galpões com isolamento térmico para estocar comida e remédios, além de abrigos para refugiados, escolas e hospitais, usando estruturas modulares maiores com o mesmo material.

“Esta estrutura pode ser ampliada para atender outras demandas, não apenas a habitacional”, explica o arquiteto. “Neste caso seria necessário integrar atividades e culturas locais e criar espaços que incluem outras necessidades”.  

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