A Green School ou Escola Ecológica, construída na ilha de Bali, na Indonésia, está dando a seus alunos uma educação relevante, holística e verde em um dos ambientes mais impressionantes do planeta. 

John Hardy, designer de joias é co-fundador da escola sustentável que ensina as crianças a construir, fazer jardinagem e ajudam-nas a entrar em uma universidade. Em forma de espiral, o ponto central da construção é o coração da escola feito em bambu. 

Após vender sua empresa de jóias em 2007, John Hardy e sua esposa, Cynthia, se envolveram em um novo projeto: a Escola Verde em Bali. Na instituição de ensino as crianças aprendem em uma sala de aula ao ar livre, rodeadas por hectares de jardins. Lá elas recebem instruções sobre como construir coisas com bambu, enquanto são preparadas para os exames tradicionais das escolas britânicas. 

Hardy cresceu em uma pequena vila no Canadá. Diagnosticado disléxico, ele sempre chorava ao ir para a escola. Aos 25 anos o jovem fugiu e foi para Bali, onde conheceu sua esposa Cynthia. Por 20 anos o casal trabalhou junto em uma joalheria e depois se aposentaram. 

Inspirados pelo filme “Uma verdade Inconveniente”, de Al Gore, e com quatro filhos, Hardy pensou que se parte daquela história fosse realmente verídica, seus filhos jamais teriam a oportunidade de ter a vida que ele teve. A partir daquele momento prometeu que passaria o resto da sua vida, fazendo o possível para melhorar as possibilidades de futuro dos seus filhos. 

Bali tem uma cultura hindu intacta em meio a qual o casal vivia. Juntos resolveram fazer algo inusitado e então fundaram a Escola Verde. As salas de aula, feitas em bambu, não possuem parede para proporcionar um melhor aproveitamento da luz natural. A lousa também é feita do mesmo material, as cadeiras não são quadradas e o ensino é holístico. 

A brisa natural também ventila as salas de aula e quando não há brisa suficiente as crianças fazem bolhas, feitas em algodão natural e borracha da seringueira, como mostrado na galeria acima. Eles basicamente transformam a sala em uma bolha e, segundo Hardy, “as crianças sabem que o controle do clima sem esforço pode não ser parte do futuro deles. Nós pagamos a conta no final do mês, mas quem realmente vai pagar as contas são os nossos netos”. Para ele, as crianças deveriam ser ensinadas de que o mundo não é indestrutível.

Para diminuir a dependência energética, a escola, faz uso da energia solar. No local também existe uma turbina-redemoínho, a segunda a ser construída no mundo, em uma cascata de 2,5 metros de um rio que quando estiver em funcionamento produzirá oito mil watts de eletricidade dia e noite. 

O banheiro não tem descarga. São pequenas casas de banho composto. Hardy acredita que a metodologia de misturar nossos dejetos a água não seja eficaz, se tivermos como base a quantidade de pessoas e a quantidade de água necessária para esse sistema. 

No projeto poucas coisas não deram certo como, por exemplo, a clarabóia de borracha e lona que se deterioraram em seis meses expostas ao sol. Elas tiveram que ser substituídas por plásticos recicláveis. O quadro branco usado anteriormente era feito de PVC, em seguida foram substituídas por papel e estruturadas de um para-brisa de um carro velho. 

A escola localiza-se no centro sul de Bali, em nove hectares de jardins cortados por um rio. Mais do que uma escola verde, a estrutura atraiu a construção de casas verdes levantadas ao seu redor, que possibilitam que as crianças caminhem entre elas em seu caminho para a aula, percebendo a sustentabilidade presente em toda a vila. Pessoas também estão trabalhando para levar indústrias ecológicas para e região e eles esperam que restaurantes com os mesmos princípios também apareçam por lá. O projeto que começou como uma escola está se tornando uma comunidade modelo. 

Todos os materiais foram selecionados, para que o petróleo não fizesse parte da estrutura. Pedras vulcânicas colocadas a mão foram usadas como pavimento. As calçadas são de cascalho e apesar de se encharcarem quando chove, são “verdes”. Todas as cercas da escola são ecológicas, feitas com raiz de tapioca. 

No paisagismo, o jardim foi mantido como estava antes da construção, indo até a borda de cada sala de aula. Há criação de porcos, os últimos porcos pretos em Bali, e também uma vaca. As crianças vivem em uma cultura de arroz e sabem o que poucas pessoas sabem sobre esta prática. Elas aprendem como plantar e cuidar de um arroz orgânico, sabem quando colher e como cozinhar. Elas são parte do ciclo do arroz, o que será de extrema importância para o futuro de cada uma delas. 

Diversos alimentos orgânicos são plantados na escola onde 400 pessoas comem diariamente. As mulheres balinesas locais cozinham os alimentos com queimadores de cerragem, que são segredos passados de geração para geração, e dispensam o uso do gás. 

Hardy acredita que a escola seja um sítio de pioneiros locais e globais, uma espécie de micro-cosmos do mundo globalizado. As crianças que lá estudam vêm de 25 países diferentes. No terceiro ano da escola ecológica, em 2010, 160 crianças já estavam inscritas. Lá se aprende a ler, escrever e aritmética, mas também aprendem as técnicas de aproveitamento do bambu e a prática de artes balinesas tradicionais. 

Na escola, eles trabalham com a localidade, que para eles significa que o projeto tem como compromisso funcionar com 20% de crianças Balinesas no mínimo. Com isso pessoas do mundo inteiro estão apoiando as bolsas de estudos para estas crianças porque elas serão os futuros líderes ecológicos da ilha indonésia. 

Os professores são tão diversos quanto os estudantes e a escola também conta com a ajuda de voluntários, que juntos estão empenhados em criar uma nova geração de líderes globais voltados para o cuidado com o meio ambiente. 

Os bambus que estão ao redor crescem da altura de coqueiros em apenas dois anos e em três anos podem ser colhidos para serem usados em construções. A espécie é forte e densa como madeira de teca e pode ser usado para suportar qualquer tipo de telhado. 

O coração da escola, onde está instalado o complexo administrativo, tem sete quilômetros de bambu. Após três meses de seu início a construção tinha chão e telhado. Para eles, a escola ecológica é um modelo construído para o mundo, para isso, três regras básicas precisaram ser seguidas: usar material e mão-de-obra locais, deixar o meio ambiente liderar e pensar em como as gerações futuras poderiam construir estruturas como essa. 

Não se sabe ao certo o impacto que esta escola ocasionará, mas com certeza crianças diferentes serão formadas. 

Aos interessados em ajudar a terminar de construir as próximas 50 escolas verdes pelo mundo acessem no site.  

Avatar
Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.