Stuart Brown, psiquiatra americano, pioneiro na pesquisa sobre o brincar, descobriu por meio de seus estudos que crianças tolhidas na sua necessidade de brincar terão dificuldades de decodificar o mundo, que brincar bastante na infância gera adultos felizes e bem sucedidos e que a capacidade de continuar nutrindo este ser brincante que somos nos mantém joviais e saudáveis ao longo da vida.

Como resultado de suas pesquisas, Stuart afirma que:

“Brincar desenvolve músculos e habilidades sociais, fertiliza a atividade cerebral, aprofunda e regula emoções, nos faz perder a noção do tempo, proporciona um estado de equilíbrio, ajuda a lidar com as dificuldades, aumenta a expansividade e favorece as conexões entre as pessoas. Ao brincar ativamos o lado direito do cérebro, que está ligado à criatividade, emoção, imaginação, intuição e subjetividade”.  

A tela do pintor holandês Pieter Bruegel, intitulada “Brincadeiras Infantis” retrata um  pátio da Europa do século XVI. Mostra um tempo onde o brincar foi mais valorizado pela humanidade. Podemos observar adultos e crianças brincando, brincadeiras individuais, coletivas, jogos, atividades físicas, etc. Rubem Alves,  filósofo e educador, nos desafia ao afirmar que já enumerou 60 brincadeiras nesse quadro. A maioria das brincadeiras de Bruegel são do lado de fora, repare bem.

Onde nasce o brincar?

O brincar tem origem na curiosidade e necessidade de exploração da criança para construção do seu próprio mundo, sua identidade, a imagem de si e a compreensão do mundo que a cerca. Ele ensina tudo o que os pequenos precisam aprender sobre a dinâmica interna e estrutura do seu próprio corpo.

Quando brinca a criança está inteira na brincadeira, pois brinca com todo o seu ser. Brincando ela aprende a se concentrar, experimenta o estado de flow, tão cobiçado e valorizado na atualidade.  A carência do brincar leva ao risco das crianças não desenvolverem habilidades importantes para a vida adulta. 

Importante pesquisa realizada pela agência Edelman Berland em 2016 sobre o valor do brincar livre, revelou dados importantes  que levou a empresa Unilever a criar uma campanha de impacto “Libertem as crianças“. Saiba mais, acesse aqui.

Portanto fique atento e garanta um tempo livre todos os dias para a criançada ficar ao ar livre a vontade.  Reconecte-se com sua criança interior e brinque você também.

Ana Lúcia Machado é pesquisadora da cultura da infância e arte na educação. Autora do blog “Educando Tudo Muda”, carrega a bandeira da educação como a única revolução capaz de transformar o mundo. Ela é autora do livro “Clarear – a pedagogia Waldorf em debate” e do projeto “Playoutside – alegria de brincar na natureza”