O desenvolvimento saudável da infância é base de prosperidade econômica e justiça social de uma nação. Sabemos que as primeiras experiências da vida de uma criança são incorporadas por ela, permanecendo por toda a vida. O que é vivenciado na infância afeta o aprendizado, o comportamento, saúde, e segue reverberando ao longo da existência de cada indivíduo.

Entretanto o modus vivendi da sociedade contemporânea com seus excessos, tem tornado difícil a vida da criança. Querem cedo demais tirar a infância do seu tempo e espaço natural de desenvolvimento. Querem cedo demais intelectualizar, atrofiar os sentidos, limitar a curiosidade e vontade da criança de explorar e vivenciar o mundo natural.

A infância se encontra no centro das incertezas e complexidade desta época, expondo a criança precocemente às mesmas angústias que os adultos estão sujeitos.

Neste cenário de inquietações, é preciso conhecer e enfrentar os sabotadores da infância em prol da saúde da criança. Veja alguns deles:

Pressão escolar

Os anos pré-escolares se transformaram em uma competição acadêmica exaustiva. A Educação Infantil é hoje muito parecida com o Ensino Fundamental, por causa da ênfase na alfabetização. A antecipação e aceleração do letramento é um dos sabotadores da infância mais desrespeitosos à natureza lúdica da criança.

Na contra mão da aceleração, especialistas afirmam que o aprendizado formal é mais produtivo a partir dos 6 anos de idade, pois é quando as crianças são mais capazes de lidar com ideias abstratas. Então por que tanta pressa em alfabetizar as crianças?

Uma infância com a agenda lotada

Este é um dos sabotadores da infância mais sutis. Passa desapercebido pela maioria de nós. Já parou para pensar na complexidade das agendas infantis atualmente?  As crianças são levadas de um compromisso a outro, de segunda-feira a sábado. Suas agendas estão lotadas de cursos extracurriculares: do balé para o inglês, da natação para o Kumon, etc.

O que pretendemos com isso? Prepará-los  para o sucesso? Formar uma  supergeração competitiva? A superestimulação promovida pelos adultos tem  levado crianças ao esgotamento.

O não fazer nada para a criança é muito importante, é o momento que ela faz de conta, inventa brincadeiras, faz seu brinquedo.  O tempo livre, o “tédio”, nada mais é que a oportunidade da criança entrar em contato com ela mesma, estimular o pensamento, a fantasia e a concentração.

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Uso excessivo da tecnologia

O acesso precoce e abusivo dos dispositivos digitais por crianças pequenas,  é um dos sabotadores da infância que vem “trabalhando” em silêncio há algumas décadas e que agora explode de maneira assustadora.

A recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria é que crianças menores de 3 anos não tenham acesso e nem sejam expostas passivamente aos aparelhos tecnológicos. Às crianças maiores, a orientação é de limitar o uso ao máximo uma hora por dia.

Já se sabe por meio de estudos que quanto mais a criança ficar exposta a tecnologia, piores serão suas funções cognitivas, como a memória e desenvolvimento da atenção. O uso precoce e excessivo da tecnologia na infância pode prejudicar o desenvolvimento infantil. Isso causa dificuldade de concentração, má qualidade do sono, sedentarismo, problemas de saúde mental, atraso de aprendizagem, entre outros distúrbios.

Conheça outros sabotadores que Educando Tudo Muda listou aqui, e pense: o que podemos fazer para mudar este cenário? Qual a nossa responsabilidade perante essa geração de crianças estressadas?  Que futuro  estamos projetando para elas?