A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) publicaram em abril uma nova orientação com dez passos para aumentar o apoio ao aleitamento materno nas unidades de saúde que prestam serviços de maternidade e para recém-nascidos. A amamentação de todos os bebês nos primeiros dois anos pode salvar a vida de mais de 820 mil crianças com menos de cinco anos todos os anos.

A publicação Ten Steps to Successful Breastfeeding (“Dez passos para o sucesso do aleitamento materno”, em português) sustenta a Iniciativa Hospital Amigo da Criança, lançada em 1991 pela OMS e UNICEF. Essas orientações práticas incentivam novas mães a amamentarem e informa os profissionais de saúde sobre a melhor forma de apoiar o aleitamento materno.

A amamentação é vital para a saúde de uma criança ao longo da vida e reduz os custos para as unidades de saúde, famílias e governos. O aleitamento materno na primeira hora de nascimento protege os recém-nascidos de infecções e salva vidas. Os bebês correm maior risco de morte por diarreia e outras infecções quando são amamentados parcialmente ou não são amamentados. A amamentação também melhora o QI, o desempenho e a frequência escolar, além de estar associada a rendas mais altas na vida adulta. Também reduz o risco de câncer de mama nas mães.  

“A amamentação salva vidas. Seus benefícios ajudam a manter os bebês saudáveis em seus primeiros dias e também na idade adulta”, disse a diretora executiva do UNICEF, Henrietta H. Fore. “Mas a amamentação requer apoio, encorajamento e orientação. Com estes passos básicos, implementados adequadamente, podemos melhorar significativamente as taxas de aleitamento materno em todo o mundo e dar às crianças o melhor começo de vida possível.”  

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que em muitos hospitais e comunidades de todo o mundo, o fato de uma criança ser amamentada ou não pode fazer a diferença entre a vida e a morte e em seu desenvolvimento para alcançar seu pleno potencial”.

Os hospitais não existem apenas para curar os doentes. Eles estão lá para promover a vida e garantir que as pessoas possam prosperar e viver suas vidas em todo o seu potencial”, alegou Tedros. “Como parte do esforço de todos os países para alcançar a cobertura universal de saúde, não há lugar melhor ou mais crucial para começar do que garantindo que os dez passos para o sucesso do aleitamento materno sejam o padrão de cuidados das mães e de seus bebês”.  

A nova orientação descreve passos práticos que os países devem adotar para proteger, promover e apoiar o aleitamento materno em unidades que prestam serviços de maternidade e neonatos. Eles fornecem a plataforma imediata do sistema de saúde para ajudar as mães a iniciarem a amamentação na primeira hora após o parto e amamentar exclusivamente por seis meses.  

A publicação também orienta como os hospitais podem ter uma política de amamentação escrita, competências das equipes e cuidados pré-natais e pós-parto, entre eles o apoio à amamentação para mães. Também recomenda o uso limitado de substitutos do leite materno, alojamento conjunto, alimentação responsiva, educação dos pais sobre mamadeiras e chupetas e apoio para quando as mães e seus bebês receberem alta hospitalar.  

Nota aos editores  

Os dez passos têm base nas diretrizes da OMS, publicadas em novembro de 2017, intituladas “Protecting, promoting and supporting breastfeeding in facilities providing maternity and newborn services”.  

O início precoce da amamentação, dentro de uma hora após o nascimento, protege o recém-nascido de infecções e reduz a mortalidade neonatal. Aumenta ainda as chances de uma continuação bem-sucedida da amamentação. O aleitamento materno exclusivo por seis meses traz muitos benefícios para o bebê e a mãe. O principal deles é a proteção contra infecções gastrointestinais e desnutrição, que são observadas não apenas nos países em desenvolvimento, mas também nos desenvolvidos.  

O leite materno também é uma importante fonte de energia e nutrientes para crianças de seis a 23 meses. É capaz de suprir a metade ou mais das necessidades de energia de uma criança entre seis e 12 meses e um terço das necessidades de energia entre 12 e 24 meses. Também é uma fonte fundamental de energia e nutrientes durante períodos de doença e reduz a mortalidade entre crianças com má nutrição.  

Crianças e adolescentes que foram amamentados quando bebês são menos propensos a apresentarem excesso de peso ou obesidade.  

As informações são da Organização Pan-Americana de Saúde