No final de 2017, as emissões globais de dióxido de carbono dos combustíveis fósseis e da indústria deverão aumentar em cerca de 2% em relação ao ano anterior, com um intervalo de incerteza entre 0,8% e 3%. Esta notícia vem depois de três anos de emissões permanecendo relativamente estáveis.

Essa é a conclusão do Orçamento Global de Carbono 2017, que foi publicado na última segunda-feira (13) pelo Global Carbon Project (GCP) nas revistas Nature Climate Change, Environmental Research Letters e Earth System Science Data Discussions. O anúncio ocorre quando as nações se encontram em Bonn, na Alemanha, para as negociações anuais sobre o clima das Nações Unidas (COP23).

“As emissões globais de dióxido de carbono parecem estar aumentando fortemente após um período estável de três anos. Isso é muito decepcionante”, disse Corinne Le Quéré, diretora do Centro Tyndall para Pesquisa sobre Mudanças Climáticas da Universidade de East Anglia. “Com as emissões globais de CO2 de todas as atividades humanas estimadas em 41 bilhões de toneladas para 2017, o tempo está se esgotando em nossa capacidade de manter o aquecimento bem abaixo de 2.C, e menos ainda de 1,5 C”, completa.

As emissões da China representam 28% das emissões globais. “O retorno ao crescimento das emissões globais em 2017 deve-se em grande parte ao retorno ao crescimento das emissões chinesas, projetadas para crescer 3,5% em 2017 após dois anos com diminuição das emissões. O uso do carvão, a principal fonte de combustível na China, pode aumentar em 3% devido ao crescimento mais forte da produção industrial e à menor geração de energia hidrelétrica devido à menor precipitação”, disse o coautor Glen Peters, que liderou um dos estudos.

“Vários fatores apontam para um aumento contínuo em 2018”, disse Robert Jackson, coautor do relatório e professor da ciência do sistema terrestre na Universidade de Stanford. “Essa é uma preocupação real”.

No entanto, a equipe disse que, apesar do crescimento em 2017, é muito cedo para dizer se este é um evento único no caminho para um pico global de emissões, ou o início de um novo período com pressão ascendente sobre emissões globais crescimento.

No longo prazo, é improvável que as emissões voltem às altas taxas de crescimento persistentes observadas durante os anos 2000, de mais de 3% ao ano. É mais provável que as emissões atinjam ou tenham um crescimento ligeiramente positivo, em grande medida em conformidade com as promessas de emissões nacionais submetidas ao Acordo de Paris.

Emissões diminuíram em 22 países

Também houve algumas boas notícias no relatório: na última década (2007 -2016), as emissões em 22 países (representando 20% das emissões globais) diminuíram enquanto suas economias cresciam. Tecnologias como energia eólica e solar cresceram em todo o mundo em cerca de 14% ao ano nos últimos anos, de acordo com o relatório.

Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.