Em uma decisão histórica que levou anos, todas as nações membros da União Europeia aprovaram a proibição total dos neonicotinoides, o inseticida mais usado no mundo, e um perigo bem documentado para as abelhas e outros polinizadores. A proibição deve entrar em vigor até o final deste ano, embora o uso do inseticida ainda seja permitido em estufas. O rápido declínio da população de espécies de polinizadores nos últimos anos deve-se em parte ao uso disseminado de pesticidas nocivos. A proibição deve resultar em uma população de polinizadores mais saudável, o que é essencial para a produção global de alimentos.

A votação segue estudos recentes que confirmaram o perigo que os neonicotinoides representam para os polinizadores, diretamente e através da contaminação da água e do solo. “A comissão havia proposto essas medidas meses atrás, com base nos pareceres científicos dos assessores de risco científico da UE”, disse Vytenis Andriukaitis, comissário europeu para Saúde e Segurança Alimentar, em entrevista ao Guardian. “A saúde das abelhas continua a ser de extrema importância para mim, uma vez que diz respeito à biodiversidade, produção de alimentos e meio ambiente.”

Essa mudança na política agradou os ativistas. “Finalmente, nossos governos estão ouvindo seus cidadãos, as evidências científicas e os agricultores que sabem que as abelhas não podem viver com esses produtos químicos e não podemos viver sem as abelhas”, disse Antonia Staats, da Avaaz.

Indústria agro é contra

Enquanto isso, representantes da indústria desaprovaram. “A agricultura europeia sofrerá como resultado desta decisão”, disse Graeme Taylor, da Associação Europeia de Proteção de Cultivos. “Talvez não hoje, talvez não amanhã, mas com o tempo os tomadores de decisão verão o claro impacto de remover uma ferramenta vital para os agricultores.” Pesquisas sugerem que as preocupações de Taylor são infundadas, enquanto o dramático declínio nas populações de polinizadores – que continuará a ocorrer sem ação – prova desastrosa para a produção de alimentos.

Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.