Após proibir sacolas plásticas em supermercados, canudos em restaurantes, a fabricação de cotonetes com hastes plásticas e o uso de microplásticos em cosméticos, o Reino Unido mira agora nos lenços umedecidos.

Segundo um estudo realizado no ano passado pela Water UK, as toalhas úmidas estão por trás de cerca de 93% dos bloqueios de esgotos do Reino Unido. Elas se tornaram um problema generalizado para diversos países ocidentais, onde há o costume de, assim como o papel higiênico, descartá-las pelo vaso sanitário. O sistema de tratamento de esgoto desses países aceitam o papel higiênico, porém os lenços umedecidos possuem plástico em sua composição, por isso, não se degradam rapidamente, obstruem diversas tubulações e ainda poluem os cursos d’água.

“Como parte de nosso plano ambiental de 25 anos, nos comprometemos a eliminar todos os resíduos plásticos evitáveis, e isso inclui produtos descartáveis ​​como lenços umedecidos,” disse ao The Independent um porta-voz do Departamento de Meio Ambiente, Alimentos e Assuntos Rurais (Defra). “Continuamos a trabalhar com fabricantes e varejistas de lenços umedecidos para garantir que a etiquetagem nas embalagens seja clara e as pessoas saibam como descartá-las adequadamente – e apoiamos os esforços da indústria para conscientizar seus clientes sobre esse importante problema”.

O governo ainda não anunciou se será ilegal vender ou comprar lenços umedecidos, mas disse que deve trabalhar em medidas para que os fabricantes reprojetem seus produtos e também para que as pessoas passem a viver sem eles. “Incentivando a inovação para que mais e mais desses produtos possam ser reciclados e trabalhem com a indústria para apoiar o desenvolvimento de alternativas, como um produto para lenços umedecidos que não contenha plástico e que, portanto, possa ser descartado”, disse o porta-voz à BBC.

Além de poluir rios, os lenços umedecidos são os maiores causadores dos chamados “fatberg” (massa de gordura e lixo congelada). Os “fatbergs” são um grande problema para o sistema de esgotos de países frios, os lenços umedecidos se misturam à gordura e outros lixos presentes. Congelados, eles viram uma grande massa que obstrui o sistema.

Em abril, a organização ambiental Thames21 encontrou cerca de 5.500 lenços umedecidos em uma área de 116 metros quadrados nas margens do rio Tamisa. Os lenços mudaram até mesmo a forma do leito do rio, criando pequenos montes visíveis na maré baixa. Segundo a ONG, é provável que aconteça acúmulos semelhantes em outros locais ao longo do rio. Dezenas de milhares de lenços são vendidos todos os anos na Grã-Bretanha.

Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.