Os ânimos esquentaram na capital paulista na última terça-feira (27), quando foi anunciado o aval para a construção de três prédios no local onde hoje abriga o Parque Augusta. A decisão foi confirmada pela Prefeitura de São Paulo e construtora Cyrela.

Dois dias após diversos grupos se reunirem no local para comemorar o aniversário de São Paulo, um presente “de grego” foi dado aos moradores da região central da cidade, que já lutam há 40 anos pela implantação do parque: O Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo) aprovou o projeto das construtoras Cyrela e Setin.

Segundo reportagem do Uol, era necessário a autorização do órgão porque, desde 2004, o local foi tombado devido a importância da variedade de árvores e aves em um local tão carente de área verde como o centro. Situado na rua Augusta, entre as ruas Caio Prado e Marquês de Paranaguá, o local é o último que possui vegetação remanescente da Mata Atlântica no centro de São Paulo.

O terreno possui quase 25 mil metros quadrados e quase metade desta área será ocupado pelos edifícios, o restante será o parque privado, mas aberto ao público. Os moradores e ativistas querem, no entanto, a criação do parque em todo o terreno, sem novos prédios.

Em comunicado, o movimento se diz espantado com o descaso da Prefeitura de São Paulo e dos órgãos públicos. Além disso, aponta uma série de irregularidades do projeto aprovado pelo Conpresp, confira aqui.

Fechado para a população desde 2013, os cadeados que restringiam o acesso foram, há cerca de duas semanas, quebrados por ativistas que ocuparam o terreno. Desde então, são realizadas assembleias populares, vigília, articulações para mobilizar o maior número de pessoas e até um bloco carnavalesco ensaiou no local. Os ativistas estão acampados, porém, na semana passada, a polícia foi até lá e entregou um documento pela reintegração de posse. Por conta disso, será realizado uma assembleia extraordinária nesta quarta-feira (28) às 20h para definir qual será a posição do grupo a partir de agora. 

Enquanto se pensa nas soluções para reverter o caso, o movimento Organismo Parque Augusta divulga um abaixo assinado no qual reivindica ao prefeito Fernando Haddad uma posição favorável à criação do parque em 100% do terreno. O documento, que pode ser visto aqui, salienta a importância das áreas verdes na redução das ilhas de calor, em especial neste momento delicado de crise hídrica no estado.

Veja algumas imagens do parque:

Crédito das imagens: Parque Augusta/Facebook.

Marcia Sousa – Redação CicloVivo