Agricultores que preservam a floresta têm melhores resultados no rendimento e qualidade das lavouras. Este foi o resultado apresentado por um estudo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, que contou com seis anos de análises.

O trabalho não considerou apenas informações científicas e teóricas. A pesquisadora da Embrapa, Mariella Uzêda, contou com o apoio de agricultores assentados em Cachoeiras de Macacu, no interior do Rio de Janeiro. Durante o período de estudo, eles se dispuseram a mudar o formato tradicional para incluir árvores nativas próximas às áreas de plantio, conciliando a produção de alimentos com a preservação da biodiversidade.

De acordo com a pesquisadora, a agricultura tradicional acabou criando barreiras. Em consequência disso, ocorreu a redução de uma grande quantidade de espécies, entre elas, espécies necessárias para o bom desenvolvimento da lavoura, como as vespas, que ajudam a polinizar os vegetais e controlam insetos-pragas.

Somente este motivo não era suficiente para que os agricultores optassem pela preservação. Assim sendo, os pesquisadores levantaram os impactos do manejo antigo para o meio ambiente e mostraram como a floresta poderia contribuir para a lavoura, principalmente em termos econômicos. “Não adianta você descartar a possibilidade de o agricultor produzir ou só obter resultados em longo prazo porque isso não funciona. Procuramos ouvir o que ele gostaria de fazer para reduzir esses impactos”, explicou Mariella.


Foto: Divulgação

Para a realização do estudo três pilares foram fundamentais: conhecimento da biodiversidade nativa, relacionando-a com o potencial econômico; estudo das técnicas já existentes para a inserção de árvores na paisagem, relacionando-as aos interesses dos agricultores; e adaptação das técnicas à realidade do agricultor, que não pode deixar de produzir e obter renda.

Os resultados foram positivos e comemorados pelos produtores. Pelo menos vinte agricultores participaram do estudo. Ao final do período de experiência eles identificaram maior produtividade na lavoura, melhora nas condições das nascentes e, consequentemente, aumento na renda familiar. “Aumentou o número de passarinhos, que consomem os carrapatos. O capim fica mais verde nas árvores e no verão, quando o sol queima mesmo, os bezerros ficam melhor na sombra”, comentou Francisco Araújo, um dos produtores integrantes do projeto.

As árvores frutíferas usadas no sistema de plantio colaboraram para um bom retorno financeiro, como prova o agricultor João Batista. Ele tem apenas dois pés de cajá em sua propriedade, mas colhe o suficiente para receber R$ 500 por semana com a venda da fruta durante o período de safra, que vai de janeiro a março. A mudança ainda reduz consideravelmente a quantidade de insumos usados no cultivo, o que diminui os gastos com a manutenção e minimiza os impactos ambientais da lavoura.

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Redação CicloVivo