Na última sexta-feira (1), uma pequena baleia-piloto macho morreu em uma praia da Tailândia após ingerir 80 sacos plásticos. Segundo autoridades do país, o animal foi atendido por um time de veterinários numa tentativa de socorro, mas não resistiu.

O mesmo animal foi visto pela primeira vez na segunda-feira (28), já enfermo e incapaz de nadar em um canal na província de Songkhla. Algumas pessoas tentaram mantê-lo na água e protegido do sol. Durante a tentativa de resgate, o mamífero vomitou cinco sacos plásticos.

A biópsia feita após a morte da baleia na tarde de sexta-feira revelou que o total de sacos plásticos ingerido por ela pesava 8 kg. De acordo com o departamento de Recursos Litorâneos e Marítimos tailandês, isso impossibilitou que o mamífero conseguisse se alimentar de outra forma. O biólogo marinho Thon Thamrongnawasawat afirmou que, pela quantidade de plástico encontrado na biópsia, não havia como salvar a baleia. “Se você tem 80 sacos plásticos no estômago, você morre”, disse ele.

Lixo nos águas tailandesas

A Tailândia é um dos maiores usuários de sacos plástico do mundo, e Thon disse que isso tem um impacto muito grande na vida marinha do país. De acordo com ele, além de baleias-piloto, outros animais como tartarugas e golfinhos também sofrem por ingerir plástico. Anualmente, pelo menos 300 mortes são registradas, causadas pela ingestão desse material, segundo o biólogo.

Informações de 2016 da ONG norte-americana Ocean Conservancy revelaram que apenas 40% do lixo da Tailândia é recolhido, assim como em outros países asiáticos, o que acarreta o descarte dos 60% restante em áreas marítimas. O mesmo estudo revelou que 95% do lixo plástico que vai parar nos oceanos ficam submersos, o que aumenta exponencialmente a chance de algum animal ingerí-lo por acidente ao confundir o lixo com comida.

Mundialmente, 8 milhões de toneladas de plástico são descartados nos oceanos por ano, e China, Indonésia, Filipinas e Vietnã, junto com a própria Tailândia, são responsáveis por mais de quatro milhões de toneladas, ou seja, metade da quantidade total. Seguindo esse ritmo, a expectativa é que em 2050 haja mais plástico do que peixes nos mares.

Foto: Thon Thamrongnawasawat/Facebook

Emily Santos é aluna de Jornalismo, tem paixão por animais, pela natureza e por livros. Caçula de seis irmãos, criada na Bahia, ela retornou à metrópole paulistana para cursar faculdade e descobrir novos horizontes.