A Austrália pode ser um dos países mais afetados pelas mudanças climáticas. A conclusão é fruto das projeções realizadas pela Agência Nacional de Ciência Australiana – CSIRO e o Instituto Bureau de Meteorologia. Os dois órgãos analisaram 40 modelos climáticos e concluíram que o país pode ter um aumento de mais de 5ºC em sua média de temperatura até o final do século.

Os reflexos do aquecimento global já são sentidos em todo o mundo e não seria diferente na Oceania. A Austrália teve em 2013 o ano mais quente já registrado e 2014 foi o terceiro mais quente. De acordo com os cientistas, é improvável que as altas nos termômetros sejam consequentes de causas naturais. A principal justificativa para isso é o aumento na emissão de gases de efeito estufa na atmosfera.

Conforme noticiado pelo jornal britânico The Guardian, a projeção australiana estima que o interior do país sinta as mudanças mais rapidamente. Assim sendo, a cidade de Alice Springs, no Território Norte, a 576 metros do nível do mar, deve ter 83 dias por ano com temperaturas superiores a 40ºC em 2090, contra apenas 17 em 1995.

As cidades costeiras também sentirão os efeitos. Melbourne deve ter, em média, 24 dias acima de 35ºC, contra apenas 11 em 1995. Sidney terá 11 dias acima dos 35ºC em 2090, contra apenas três em 1995.

Além das temperaturas, o nível do mar também deve subir, levando perigo às comunidades costeiras. Até o fim do século, o oceano deve estar 82 centímetros mais alto e isso pode ser ainda pior caso a camada de gelo da Antártida entre em colapso. A previsão é de secas mais extremas e até 20% mais longas do que as atuais. Em troca, a umidade do solo pode cair e a quantidade de queimadas ao redor do país tende a aumentar.

Uma das maiores preocupações dos especialistas é em relação à grande barreira de corais australiana, uma das mais importantes do mundo. Segundo eles, o ecossistema é muito frágil e teria implicações graves com o aumento de apenas 1ºC, com a mudança esperada de 5ºC, o cenário deve ser ainda pior.

Redação CicloVivo 

Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.