Há mais de duas décadas que o Principado de Mônaco se envolve ativamente na luta contra as mudanças climáticas. O país se comprometeu a reduzir emissões de gases poluentes em 50% até 2030, comparado aos níveis de 1990, e atingir a neutralidade do carbono até 2050. Para chegar aos ambiciosos resultados, o plano do governo é focado em três setores: transporte rodoviário, tratamento de resíduos e consumo de energia em edifícios. Juntos, eles são responsáveis por cerca de 90% das emissões do principado.

Em 2016, o príncipe Albert II criou a Missão de Transição de Energia, para promover o uso de energias renováveis e eficiência energética. Foi também criado o National Green Fund, um fundo para financiar ações que ajudem a reduzir emissões de gases poluentes. Com esta missão, o principado quer mobilizar toda a comunidade monegasca a apoiar o projeto de transição energética e aumentar a produção de energias renováveis e a eficiência energética em todos os setores.

O governo publicou, no início de 2017, o Energy Transition White Paper, resultado de uma pesquisa com pessoas e organizações, além de workshops colaborativos, para identificar desafios e oportunidades para a transição energética. Desde então vem implementando ações para melhorar a eficiência energética e aumentar fontes de energias renováveis. Foi estabelecido um Pacto Nacional de Transição de Energia, que permite a todos os residentes, trabalhadores, empresas e outras instituições monegascas a contribuir para chegar aos resultados almejados. Uma carta de comprometimento define as principais áreas de atuação (transporte, desperdício e energia) e é traduzida em planos de ação anuais que indicam o que cada pessoa ou organização inscrita deve fazer para contribuir para a transição energética, evitando emissões de gases poluentes.

Painéis solares

Algumas ações já estão sendo implementadas no país, como a utilização de energia solar, já que o clima da região é muito favorável. Há duas formas de capturar a energia do sol: painéis solares fotovoltaicos, que transformam a luz do sol em eletricidade, e painéis solares térmicos, que usam os raio solares para produzir calor e aquecer a água, por exemplo de piscinas. Os fotovoltaicos são os mais comuns no principado, em telhados de escolas, prédios residenciais e de escritório.

Até o momento, existem 18 prédios equipados com painéis solares e a meta é aumentar este número, já que desde 2008 o governo oferece subsídios para a instalação dos dispositivos. Desde 2017, inclusive, há um mapa online que simula e informa a capacidade de produção de painéis fotovoltaicos de cada telhado em território monegasco.

Bombas de calor

Uma outra fonte energia renovável com muito potencial no país são as bombas de calor, sistemas termodinâmicos que se beneficiam de que a água do mar, em profundidade, mantém uma temperatura relativamente estável ao longo do ano. As bombas extraem calor da água para aquecer ou esfriar prédios, ou mesmo piscinas. Um estudo mostrou que elas não prejudicam o ambiente marinho, o que permite ainda mais sua otimização no futuro.

As bombas de calor são utilizadas no principado desde 1963 e atualmente contabilizam mais de 80 no território. Importantes locais são aquecidos ou resfriados pelo uso da tecnologia, como o Grimaldi Forum, o Museu Oceanográfico e prédios da Monte-Carlo Société des Bains de Mer. O principado pretende também desenvolver dois ocean thermal energy loops, nos bairros da Condamine e Larvotto, para reduzir custos, melhorar a tecnologia e permitir mais adesões. Desta forma, em vez de cada edifício ter sua própria bomba de calor, elas seriam conectadas por um sistema circular de água, por meio de canos, de forma a alimentar vários prédios de uma só vez. Com isso, a emissão de gases reduziria 80% na região, já que os prédios são atualmente aquecidos com a utilização de combustível fóssil ou possuem ar-condicionados.

Outras ações

Além disso, as ruas e estradas também estão sendo transformadas em fontes de energia renovável. Foram colocadas pavimentações Wattway nas superfícies das estradas, cujo rendimento é de cerca de 15% em relação à energia produzida a partir da tecnologia fotovoltaica clássica. O pavimento de 15 cm de largura é feito de células fotovoltaicas que formam uma camada fina de silício policristalino. Isto é revestido com um substrato de resinas e polímeros, que permitem a passagem da luz solar e são resistentes para suportar veículos pesado. Cerca de 20 m² de pavimento consegue gerar energia para alimentar uma residência média, exceto a parte do aquecimento.

Para a indústria de turismo, o governo lançou um programa de três anos chamado Smart+. Os hotéis do principado podem solicitar gratuitamente um pequeno dispositivo conectado à internet que mede o consumo de energia do local e permite aos hoteleiros e indivíduos terem uma compreensão melhor de como a energia é utilizada. Associado a um plano de ação, o programa resulta em diminuições consideráveis do gasto energético. O hotel Monte-Carlo Bay é um exemplo de sucesso do Smart+. O estabelecimento trocou mais de 800 lâmpadas, entre outras ações, e economizou o equivalente a um mês de energia por ano.