Um grupo de cientistas da Escola de Engenharia de Lorena (EEL) da USP conseguiu desenvolver uma tinta látex que utiliza bagaço e palha da cana de açúcar como aditivo e ainda melhora a absorção do som, diminui a propagaçã o da chama e mantém a aderência como as tintas comuns. O produto ainda traz como inovação menor impacto ambiental e baixo custo.

A pesquisa surgiu de um trabalho em conjunto dos Departamentos de Biotecnologia, de Materiais e Engenharia Quí mica, com a participação dos professores Ângelo Capri Neto, Adilson Roberto Gonçalves, Maria da Rosa Capri, da aluna de doutorado Fernanda de Carvalho Oliveira e do estudante de iniciação científica Alessandro Costa Pinto.

Segundo Capri Neto, a proposta do estudo foi adicionar a biomassa à tinta látex, uma das mais empregadas para a pintura de interiores de construções, para diminuir a utilização dos derivados do petróleo, que fazem parte da composi& ccedil;ão química da tinta.

“A escolha do bagaço e da palha da cana se justifica pela abundância nas regiões canavieiras e que, hoje, são rejeitos da indústria agrícola e precisam de uma destinaçã o. Além disso, a substituição parcial do petróleo pela fibra natural reduz o custo de produção e o impacto ambiental quando o material for descartado”, explica o professor.

Para os pesquisadores, a absorção do som já era esperada, uma vez que ocorreu mudança da textura com aplicação dos rejeitos da cana. O produto apresentou um aumento significativo de absorção de som (15 decibéis) em relação à tinta sem aditivos (10 decibéis).

O que mais surpreendeu os pesquisadores foi a resistência do produto à chama. “A tinta látex é altamente inflamável. Então, se ocorrer um incêndio em um ambiente pintado com a tinta, a propaga& ccedil;ão da chama será alta. Percebemos que a palha da cana criou uma barreira, retardando esse efeito”, disse Capri Neto.

Além disso, a lignina – uma macromolécula obtida do fracionamento do bagaço e da palha – foi utilizada na obtenção de resina fenólica e também proposta para compor a formulação de tintas.

Agência USP

 

Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.