O Instituto Akatu lançou na última quarta-feira, 25, a Pesquisa Akatu 2018 – Panorama do Consumo Consciente no Brasil: desafios, barreiras e motivações.

O objetivo da pesquisa foi avaliar a consciência e o comportamento do consumidor rumo ao consumo consciente, a sua percepção e expectativa quanto às práticas de sustentabilidade e responsabilidade social das empresas, além de comprovar quantitativamente os resultados da pesquisa qualitativa do Akatu (2015) sobre “Barreiras e Gatilhos para o Comportamento Sustentável do Consumidor”.

Para fazer a pesquisa, que está em sua 5ª edição, foram entrevistadas 1.090 pessoas, homens e mulheres, com mais de 16 anos, de todas as classes sociais e de 12 capitais e/ou regiões metropolitanas de todo o País, entre 9 de março e 2 de abril deste ano. O estudo contou com patrocínio da ONU Meio Ambiente, Coca-Cola Brasil, Grupo Boticário, Natura, Cargill e Unilever.

A partir dos comportamentos que compõe o Teste do Consumo Consciente (TCC), identificados nas primeiras pesquisas feitas pelo Akatu e que envolve 13 comportamentos, a pesquisa analisou o quanto algumas atitudes fazem parte da rotina dos entrevistados ou fazem parte dos seus hábitos de compras.

O grau de consciência dos consumidores brasileiros é categorizado estatisticamente nos seguintes perfis: “indiferente”, “iniciante”, “engajado” e “consciente”, de acordo com a avaliação da prática desses 13 comportamentos de consumo. A partir deles, considera-se: “indiferentes” aqueles que aderiram a até 4 comportamentos, “iniciantes” de 5 a 7, “engajados” de 8 a 10 e “conscientes” de 11 a 13.

Um dos principais resultados da Pesquisa Akatu 2018 foi o crescimento do segmento de consumidores “iniciantes”, que correspondia a 32% em 2012 e neste ano está em 38% – o que mostra que o momento é de recrutamento de consumidores indiferentes para que se tornem iniciantes em sua consciência no consumo.

A pesquisa aponta que são 76% os menos conscientes (“indiferentes” e “iniciantes”) em relação ao consumo. O maior nível de consciência tem viés de idade, de qualificação social e educacional: entre os mais conscientes, 24% têm mais de 65 anos, 52% são da classe AB e 40% possuem ensino superior.

Comportamento consciente

Ao se expandir o número de comportamentos de 13 para 19, a Pesquisa Akatu 2018 avaliou se havia alteração em termos de resultado na adesão a comportamentos indicadores de consumo consciente. Nesse sentido, embora o número maior de comportamentos não modifique os resultados, permite um agrupamento inicial dos comportamentos naqueles que representam consumo em casa (de economia pessoal), que são os mais praticados. Gradualmente, vai se reduzindo a adesão para comportamentos de compra planejada, seguidos de comportamentos para além da casa, em seguida de consciência na rede (na comunidade) e, finalmente, na consciência no público.

Em 2018, houve um pequeno recuo na adesão a alguns comportamentos, com exceção do de separação para reciclagem, que ficou estável, e dos de compra sustentável (produtos feitos com material reciclado e produtos orgânicos) que avançam.

Caminho do consumo ou da sustentabilidade?

Durante as entrevistas, dez temas foram propostos aos respondentes para que se pudesse avaliar a preferência por caminhos do consumismo ou da sustentabilidade. E a boa notícia é que o ranking evidencia uma preferência marcada pelo caminho da sustentabilidade em detrimento do caminho do consumismo. Entre as 10 ações mais desejadas, 7 dizem respeito ao caminho da sustentabilidade e apenas 3 ao caminho do consumismo.

O fio condutor nessa escolha é o desejo por um estilo de vida saudável, com alimentação saudável, fresca e nutritiva. Porém, o desejo pelo carro próprio, predominante nas classes mais baixas (CDE) – as que mais sofrem com o transporte público com uma relação inadequada entre custo e conforto – é a maior barreira à liderança absoluta do caminho da sustentabilidade.

Clique aqui para acessar o conteúdo completo ou aqui para conferir a apresentação da pesquisa.