De acordo com estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS), 3 em cada 10 pessoas no mundo não têm acesso à água potável, aproximadamente 2,1 bilhões de pessoas. O estudo mostra também que 263 milhões de pessoas, no mundo, gastam mais de 30 minutos para chegar ao ponto de água mais próximo de suas casas e 159 milhões bebem água imprópria para uso em fontes, como riachos ou lagos.

Essa é a realidade de mais de 5 milhões de brasileiros que vivem na região do semiárido nordestino. Essa região é caracterizada pelo clima seco, chuva escassa e extrema pobreza, e está enfrentando a pior seca dos últimos 50 anos. A falta de disponibilidade de água força mulheres, crianças e idosos a caminhar longas distâncias, diversas vezes por semana, para abastecerem suas casas. Em muitos casos, a caminhada pode chegar a 2 horas.

O projeto Água para Vidas

“Todo dia eu saia de casa às 7h da manhã para buscar água. E voltava com um balde de 20 litros na cabeça”, conta Dona Nina, que vive em Riacho das Almas (Pernambuco).

Em 2005, a organização social Habitat para a Humanidade começou a trabalhar com famílias como a da Dona Nina, e hoje já desenvolveu ações em mais de 15 municípios da região. O Projeto Água para Vidas apoia famílias em diversos municípios da região do semiárido Pernambucano a terem acesso a água potável em suas casas. Isto é feito através de reparos do telhado de suas casas e construção de cisternas para captação e armazenamento de água de chuva.

“Nós priorizamos o atendimento a famílias lideradas por mulheres, e com crianças, idosos ou pessoas com problemas de saúde e deficiências morando na casa. Mas o principal critério é que sejam famílias em área rural, sem acesso a água, que recebam até 2 salários mínimos de renda familiar mensal”, explica Mohema Rolim, Gerente de Programas da Habitat para a Humanidade Brasil e responsável técnica pelo projeto.

As cisternas são feitas com placas de concreto e construídas por meio de mutirões em que as famílias, moradores das comunidades e voluntários da Habitat Brasil participam. Quando chove, a água cai na calha do telhado, desce pela tubulação e chega até o reservatório, que tem capacidade de armazenar até 16 mil litros d’água. Nas épocas de seca, basta usar a bomba e retirar água potável pronta para consumo, alimentação e agricultura.

Já foram beneficiadas mais de 500 famílias que, além da cisterna e reforma em seus telhados, receberam capacitações sobre como manter a água potável dentro do reservatório e ainda oficinas sobre direitos humanos e políticas públicas. “A mudança na qualidade de vida para as famílias é imediata. Não podemos conceber que milhares de famílias ainda carecem de acesso a este direito humano mais básico”, afirma Mohema.

“Todo dia eu saia de casa às 7h da manhã para buscar água. E voltava com um balde 20 litros na cabeça”, conta Dona Nina, que vive em Riacho das Almas (Pernambuco).

Sobre a Habitat para a Humanidade Brasil

Motivados pela visão de que todos merecem um lugar digno para viver, Habitat para a Humanidade Brasil começou sua missão no país em 1992. Desde então, já desenvolveu projetos em 12 estados e apoiou mais de 60 mil pessoas na construção ou melhoria de suas casas, assim como no acesso a água em regiões de seca. Há mais de 10 anos também trabalha em espaços democráticos para propor e incidir por políticas públicas de acesso a moradia. Além disso, a organização promove capacitações para fortalecimento de mulheres, jovens, lideranças e comunidades e, através de ações de voluntariado e mobilização, busca envolver a sociedade na luta pelo direito à cidade e à moradia adequada.

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Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.