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Vídeo com Wagner Moura conta a história de 4 homens que viveram anos de trabalho forçado

Ator e embaixador da Boa Vontade da OIT foi convidado a conhecer as histórias de Durval, Rafael, Judimar e Laudir.

23 de maio de 2017 • Atualizado às 12 : 31

O trabalho forçado ainda é uma realidade para cerca de 21 milhões de pessoas em todo o mundo. | Foto: Reprodução

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Com apenas sete anos de idade, Durval Fernandes da Silva, de uma família com mais dez filhos, começou a trabalhar. Sua história é semelhante à de muitos brasileiros que não têm a oportunidade de estudar porque precisam, desde cedo, ajudar na subsistência da família. As condições de vulnerabilidade que assolam tantos trabalhadores no país levaram Durval à uma situação análoga à escravidão. Em uma usina de cana-de-açúcar no interior de Mato Grosso, ele trabalhava até a exaustão durante meses sem receber salário, em condições desumanas. “Não sei explicar direito, porque nós não tivemos a oportunidade de estudar”, diz. Nessa situação, ele presenciou a morte de dois trabalhadores por esgotamento físico.

Para dar voz às vítimas da “escravidão moderna”, o ator e embaixador da Boa Vontade da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Wagner Moura, foi convidado a conhecer quatro trabalhadores resgatados e vulneráveis ao trabalho forçado, entre eles Durval. O encontro foi registrado num vídeo da campanha 50 For Freedom da OIT.

Rafael Ferreira da Silva, submetido ao trabalho forçado dos 12 aos 17 anos de idade, encara a situação como uma cicatriz da qual nunca vai esquecer. “A humilhação fica guardada lá dentro”, conta. A situação de trabalho análogo à escravidão na qual Rafael estava foi interrompida em 2008, com um resgate realizado numa operação de fiscalização do Ministério do Trabalho. Depois disso, Rafael teve acesso a atendimento psicossocial e capacitações profissionais. Hoje ele é estudante de engenharia civil e reconhece que a situação que viveu no passado era de trabalho escravo.

Judimar Arruda Júnior, que também teve seus direitos negados, diz sentir tristeza ao pensar na situação vexatória pela qual passou. Ele não tinha carteira assinada e recebia a “diária” somente nos dias em que trabalhava, sem proteção social ou amparo no caso de doenças. As dores nas costas devido ao pesado trabalho braçal sumiram após sua recolocação profissional, possível através da participação num curso de mecanização agrícola.

Já Laudir de Carvalho Oliveira, que executava serviços na construção civil sem qualquer garantia ou equipamentos de segurança, considera o Brasil é um país pobre de informação.

Após a conversa com os quatro trabalhadores, Wagner disse que esta foi a primeira vez desde a sua infância em que se encontrou cara a cara com pessoas que sofreram com a escravidão. “Eu venho de uma cidade (…) do interior da Bahia, onde eu presenciei muitos casos de gente trabalhando em situação análoga à escravidão, e eu passei um bom tempo da minha vida achando que essa situação era normal. Quando eu entendi que um trabalhador tem muitos mais direitos, (…) isso passou a virar uma questão muito importante pra mim, (…) pela minha militância na questão de direitos humanos”, conta o ator.

Foto: Thiago Foresti

Foto: Thiago Foresti

Segundo Wagner, os depoimentos de Durval, Rafael, Judimar e Laudir foram muito fortes, bonitos e dignos: “Eles todos reforçavam a ideia da não vitimização, e sim do orgulho que eles têm de participar de uma campanha que possa salvar outras pessoas de viver a situação (…) pela qual eles passaram. (…) Eu tenho muito orgulho de ter a minha imagem e meu nome atrelado à OIT, e especialmente à campanha 50 For Freedom”.

O trabalho forçado ainda é uma realidade para cerca de 21 milhões de pessoas em todo o mundo, afetando países em todos os continentes e gerando mais de US$ 150 bilhões em lucros ilegais todos os anos. Prática de raízes antigas na história, hoje ela se apresenta sob diversas formas: trabalho forçado, servidão por dívida, jornadas exaustivas e situações degradantes.

A campanha 50 For Freedom iniciou um movimento para pedir que, pelo menos, 50 países ratifiquem, até 2018, o Protocolo da OIT sobre Trabalho Forçado.  A assinatura significa o compromisso do país na garantia dos direitos dos trabalhadores, no aumento da fiscalização, no engajamento do setor privado e na prevenção, proteção e reabilitação dos trabalhadores resgatados da escravidão. A campanha foi lançada no Brasil no dia 9 de maio, em audiência pública da Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal. Para apoiar a campanha, assine aqui

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