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Projetos conectam alimentos que seriam descartados a pessoas que precisam

Cerca de um sexto da população mundial passa fome e 870 milhões de pessoas se encontram em estado de subnutrição.

17 de maio de 2016 • Atualizado às 10 : 32
Projetos conectam alimentos que seriam descartados a pessoas que precisam

Algumas iniciativas têm ajudado a minimizar o desperdício de alimentos em boas condições. | Foto: Hans Splinter/Flickr

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Uma cooperativa em Portugal vem distribuindo frutas, legumes e verduras fora do padrão exigido pelo mercado e hoje já faz a entrega de até cinco toneladas por semana a moradores de Lisboa e do Porto. O objetivo é evitar o desperdício. Outra iniciativa é a “Zero Desperdício – Portugal não pode se dar ao lixo”, que aproveita alimentos que seriam jogados fora e que até agora já serviu quase três milhões de refeições.

A União Europeia (UE) registra anualmente perda de 89 milhões de toneladas de alimentos, o que equivale a 179 quilos de comida por habitante perdidos a cada ano, segundo relatório do governo português sobre o desperdício alimentar. De acordo com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), estima-se que, na Europa, sejam desperdiçados entre 30% e 50% dos produtos ao longo de toda a cadeia alimentar até chegar ao consumidor.

Apenas em Portugal, o desperdício representa 17% da produção alimentar anual, um valor aproximado de cerca de um milhão de toneladas.

Fruta Feia

Algumas iniciativas têm ajudado a minimizar este problema, como é o caso da Cooperativa Fruta Feia. A organização tem como objetivo canalizar parte da produção de frutas e hortaliças, que seriam desperdiçadas por estar fora dos padrões exigidos pelos supermercados, para os consumidores que não julgam a qualidade pela aparência. Os mercados não costumam aceitar produtos que não têm o aspecto perfeito em termos de cor, formato e tamanho.

De acordo com Isabel Soares, uma das mentoras da Cooperativa Fruta Feia, a ideia surgiu no fim de 2012, depois de ver alguns documentários e ler artigos sobre o tema. “Percebi que havia um enorme desperdício alimentar devido à aparência – cerca de 30% do que é produzido pelos agricultores na Europa. A ideia da Fruta Feia surgiu assim, naturalmente, como um meio de resposta ao problema, uma necessidade, uma maneira de canalizar os produtos hortifrutícolas rejeitados por meras razões estéticas”, afirmou. O lema da cooperativa é “Gente bonita come fruta feia”.

A distribuição das frutas e hortaliças é feita semanalmente, a partir da visita a produtores locais, que separam nas suas hortas e pomares os produtos pequenos, grandes ou disformes que não conseguem escoar. São feitas cestas com os produtos da estação para que os mil associados (800 em Lisboa e 200 no Porto) recolham em diferentes pontos da cidade. As cestas pequenas custam 3,5 euros, pesam entre três e quatro quilos e vêm com sete variedades de produtos. As cestas grandes custam sete euros, pesam entre 6 e 8 quilos, e vêm com oito variedades de frutas e hortaliças.

Zero Desperdício – Portugal não se pode dar ao lixo

A iniciativa “Zero Desperdício – Portugal não se pode dar ao lixo”, de combate ao desperdício alimentar, recolhe em restaurantes, supermercados e hotéis refeições que não foram vendidas, cujo prazo de validade está perto de vencer ou que não foram expostas a clientes, e as distribui para pessoas que necessitem.

Ao aderir ao selo Zero Desperdício, os restaurantes separam o que iria para o lixo, embalam e encaminham para entidades participantes, que irão redistribuir às famílias necessitadas. De acordo com Diogo Lorena, gestor do projeto, já foram distribuídas quase três milhões de refeições por meio desse projeto.

Marieta Cazarré – Agência Brasil

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