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Projeto usa hortas urbanas para combater guerra na Síria

O projeto transforma terrenos vazios em áreas produtivas, para garantir alimentos de forma independente.

3 de maio de 2016 • Atualizado às 10 : 16

O projeto ganhou o nome de 15º Garden, em referência ao dia em que a Guerra Civil teve início oficial na Síria. | Foto: Nachbarschaftsakademie.org

Projeto usa hortas urbanas para combater guerra na Síria
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Historicamente a fome tem sido usada como uma aliada em guerras. Nos confrontos sírios, não tem sido diferente. Além de sofrer com bombas e insegurança, a população local ainda tem que lidar com a falta de alimentos. Mas, um projeto tem usado uma estratégia simples e antiga para reverter este cenário: hortas urbanas.

A ideia surgiu por parte do ativista Abdallah Al Shaar, em 2014. O projeto ganhou o nome de 15º Garden, em referência ao dia em que a Guerra Civil teve início oficial na Síria. O intuito deste trabalho é ajudar a população local a transformar terrenos vazios em meio à cidade em áreas produtivas, para garantir alimentos de forma independente.

Mesmo sendo uma ideia considerada simples em condições normais, o projeto enfrenta muitos obstáculos em uma região dominada pela guerra. O primeiro deles apareceu logo no início dos trabalhos, com a dificuldade em conseguir sementes para começar as hortas. Este empecilho foi resolvido através de ajuda externa, quando uma rede de produtores alemães se juntou para enviar sementes aos sírios.

Como a autonomia e independência não combinam com um governo opressor, as hortas urbanas logo foram consideradas uma afronta. Assim, Abdallah Al Shaar foi obrigado a fugir do país e hoje está refugiado na Suécia. No entanto, o seu legado permanece na Síria e ele trabalha agora na produção de um site para divulgar ainda mais o 15º Garden.

Apesar de ter surgido dentro da guerra civil síria, esta iniciativa pode inspirar movimentos em diversos lugares, mostrando que se as pessoas se juntarem é possível reconstruir comunidades após grandes tragédias.

Em entrevista ao site News Deeply, no início do projeto, a ativista alemã-iraquiana, Ansar Hevi, explicou quando foi o momento exato em que eles perceberam o potencial da iniciativa: “Oito meses após o início dos trabalhos em Damaso, a ONU trouxe cestas de alimentos. Isso aconteceu em fevereiro, mas alguns meses depois, eles não foram capazes de alcançar as áreas sitiadas. Neste período, os ativistas tinham plantado 200 kg de abobrinha, que poderiam ser distribuídos às pessoas. Eu percebi o potencial deste projeto quando os alimentos da ONU deixaram de chegar e as hortas foram usadas para alimentar os civis que não tinham o que comer.”

Entre os alimentos produzidos estão: berinjela, abobrinha e tomate. Mas, em alguns locais também estão sendo produzidos alimentos que podem ser armazenados, como lentilha e outros grãos.

Redação CicloVivo

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