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Pesquisa nacional aponta impactos do efeito estufa sobre a produção agropecuária

Estudo concluiu que o aumento da concentração de CO2 na atmosfera vai comprometer a produção de alimentos.

9 de julho de 2013 • Atualizado às 09 : 32

Pesquisa nacional aponta impactos do efeito estufa sobre a produção agropecuária
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Os primeiros resultados de um estudo que faz parte do projeto Climapest da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) aponta que o aumento da concentração de dióxido de carbono na atmosfera pode causar prejuízos para a produção agropecuária. O estudo foi apresentado em um encontro internacional que discutiu os impactos do efeito estufa, realizado em Dublin, na Irlanda, no fim do mês passado.

Com base na quantidade estimada de dióxido de carbono na atmosfera daqui a 30 anos, pesquisadores do Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo (Cena-USP) criaram um ambiente com alto teor de CO2 e constataram que, nessas condições, a gramínea brachiaria, mais utilizada na alimentação do gado no país, cresce com mais força, porém, com menos nutrientes.

“Com mais fibras indigeríveis, em vez de se ter mais produção de carne – porque o boi vai ter mais pasto para comer – nós poderemos ter um problema, porque a queda na qualidade dessa comida levará o pecuarista a ter de investir mais”, ponderou o coordenador da pesquisa, Adibe Luiz Abdalla, professor do Cena-USP.

Segundo o pesquisador, outras culturas poderiam ser comprometidas, como as de algodão, arroz, feijão, milho e trigo. Mas, segundo ele, ainda não se sabe ao certo o real impacto do efeito estufa sobre essas plantações.

O gás carbônico tem o papel de auxiliar no desenvolvimento das plantas por meio da fotossíntese. O coordenador estima que, com mais fotossíntese, maior o aumento da biomassa. “Esse aumento da produção de biomassa no caso de forragens é interessante, pois vai produzir mais capim. No entanto, pelas informações que a gente está obtendo até agora, o vegetal é de pior qualidade, tem mais fibra, mais componentes indigeríveis”, explicou ele.

Os trabalhos foram desenvolvidos em um campo experimental da Embrapa, em Jaguariúna, situada a 125 quilômetros da capital paulista. No local, foi criado um ambiente que cria a realidade prevista para o ano de 2040. No cenário, foram instalados 12 círculos de 10 metros quadrados com dióxido de carbono – propriedade que ampliou os níveis atualmente encontrados na atmosfera – algo em torno de 370 a 390 para cerca de 590 a 600 partes por milhão (ppm).

Por Marli Moreira, repórter da Agência Brasil

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