Metas da Política Nacional de Resíduos Sólidos não serão cumpridas até 2014, afirma Ipea
27 de Abril de 2012 • Atualizado às 05h08

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou, na última quarta-feira (25), um estudo afirmando que o Brasil possui 2.906 lixões distribuídos por 2.810 municípios. O prazo para que todos eles sejam fechados é de apenas dois anos.

A pesquisa tem como base a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) que estabeleceu 2014 como o ano limite para a extinção de todos os lixões a céu aberto no país. O Ipea divulgou um comunicado para detalhar esta questão.

A legislação definiu como prioridades: a redução do volume de resíduos gerados, a ampliação da reciclagem, novos mecanismos de coleta seletiva com inclusão social de catadores e término dos lixões com a implantação de aterros sanitários.

Técnicos do Ipea acreditam que o prazo é muito curto e que dificilmente as metas sejam cumpridas dentro dos dois anos. Para o instituto seria preciso haver mais políticas de incentivo para a reciclagem nas cidades e a coleta seletiva na área urbana.

De acordo com o documento, o maior número de municípios com lixões está localizado na região Nordeste. Uma das soluções apontadas pelo Ipea é criar consórcios públicos para gestão de resíduos sólidos. Desta forma, uniriam pequenas cidades com poucos recursos financeiros que se ajudariam mutuamente.

Um dado positivo divulgado afirma que a coleta regular de resíduos sólidos dos domicílios subiu de 90% para 98%, de 2009 até os dias atuais. Já na zona rural a realidade é outra: 67% das casas não recebem visitas periódicas de caminhões recolhendo o lixo.

Em relação à coleta seletiva, somente 18% dos municípios brasileiros fazem corretamente a recolha dos materiais que podem ser reciclados. “A coleta seletiva ainda é incipiente e está concentrada nas regiões ricas”, disse Jorge Hargrave, técnico de Planejamento e Pesquisa do instituto.

Os lixões também recebem muitos materiais que poderiam ser reaproveitados, um dos maiores exemplos é a matéria orgânica, que poderia passar por tratamento para gerar energia elétrica. São recolhidas 94,3 mil toneladas de lixo orgânico diariamente no Brasil, mas apenas 1,6% (1.509 toneladas) são encaminhadas para o reaproveitamento.

Nas agroindústrias são geradas 291 milhões de toneladas de resíduos sólidos, que poderiam ser aproveitados, tanto na produção de fertilizantes naturais, como na geração de energia elétrica.

O estudo do Ipea ainda surpreende com a informação de que se todos os resíduos secos da produção de cana no Brasil fossem encaminhados à geração de energia, a potência instalada seria de 16,6 GW, o que equivale a mais que a potência da usina de Itaipu, com 14 GW.

“Mas para isso, são necessários incentivos do governo. Além disso, esse aproveitamento energético diminuiria o lançamento de gases de efeito estufa na atmosfera”, afirma Regina Sambuichi, do Ipea. Com informações do G1.

Redação CicloVivo



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