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Mais da metade do Brasil continua a descartar lixo a céu aberto

Entre os principais impactos ambientais que os lixões provocam estão a contaminação do solo e dos lençóis freáticos.

4 de agosto de 2016 • Atualizado às 11 : 54
Mais da metade do Brasil continua a descartar lixo a céu aberto

Os municípios da região metropolitana têm até 31 de julho de 2018 para fecharem os lixões. | Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

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Pela Lei 12.305/2010, que estabelece a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), todos os municípios deveriam acabar com seus lixões até 2014. Mas, isso não aconteceu e, de prorrogação em prorrogação, agora o prazo para as adequações chega a 2021, enquanto 60% das cidades brasileiras continuam com lixões em funcionamento.

“A PNRS permite que o país avance no combate a sérios problemas ambientais, sociais e econômicos provocados pelo manejo inadequado dos resíduos sólidos. Mas, para que isso realmente aconteça, os municípios precisam cumprir urgentemente com a sua parte”, diz o Biólogo Giuseppe Puorto. Estima-se que, por dia, um aterro de pequeno porte receba até cem toneladas de lixo. Aterros de médio porte, cerca de 800 toneladas por dia. Enquanto aterros maiores chegam a receber, por dia, mais de duas mil toneladas de resíduos sólidos.

Os municípios da região metropolitana têm até 31 de julho de 2018 para fecharem os lixões. As cidades de fronteira e os que contam com mais de cem mil habitantes, com base no Censo de 2010, têm até 2019. Já os municípios que têm entre 50 e cem mil habitantes, terão que resolver essa questão até 31 de julho de 2020. Os municípios menores, com menos de 50 mil habitantes, devem estar de acordo com a lei até 31 de julho de 2021.

De acordo com o biólogo, entre os principais impactos ambientais que os lixões provocam estão a contaminação do solo e dos lençóis freáticos pelo chorume – um líquido preto tóxico proveniente da decomposição do lixo, e também a poluição do ar pelo biogás, formado pela combinação de gás carbônico (CO2) com metano e vapor d’água. “Sem contar o risco que os catadores que trabalham nesses locais enfrentam diariamente, inclusive crianças, tanto de contrair alguma doença por causa do próprio lixo ou da presença de animais (ratos e urubus, por exemplo) como também de sofrer algum acidente fatal”, alerta Puorto.

Hoje, de acordo com levantamento do Ministério do Meio Ambiente de 2015, apenas 2215 municípios brasileiros (40%) contam com aterro sanitário. Enquanto 3346 municípios (60%) ainda continuam descartando seus resíduos sólidos em lixões. Como se vê, a maioria ainda não executou as obrigações impostas pela Lei da PNRS. “O país precisa fazer um grande esforço para conseguir reverter essa situação e dar o destino correto de toneladas de lixo produzido diariamente”, diz Luiz Roberto Gravina Pladevall, presidente da Apecs (Associação Paulista de Empresas de Consultoria e Serviços em Saneamento e Meio Ambiente).

Isabela Giglio, advogada em Direito Administrativo da Conam – Consultoria em Administração Municipal, lembra aos gestores públicos sobre as penalidades que os municípios podem sofrer em caso de descumprimento. “A inobservância da obrigação de encerramento das atividades dos lixões poderá implicar na responsabilização dos municípios por diversas formas, inclusive por crime ambiental, sendo possível, ainda, a punição dos agentes políticos responsáveis pelo inadimplemento”, conclui a especialista.

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